Confirmado: Heitor dos Prazeres será enredo da Vila Isabel em 2026

Compositores mergulham na trajetória do artista que retratou o samba e a negritude brasileira

A Unidos de Vila Isabel anunciou oficialmente neste sábado (10), durante uma roda de samba na tradicional Pedra do Sal, que o enredo do Carnaval 2026 será em homenagem ao multiartista Heitor dos Prazeres.

A informação já havia sido antecipada pelo jornal O Globo ao longo da semana. A escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo intitulado “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, inspirado na vida e na obra do compositor, sambista e pintor que marcou profundamente a cultura popular brasileira.

O tema será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que já nutriam interesse antigo pela figura de Heitor dos Prazeres. Em 2023, a dupla assinou uma instalação dedicada ao artista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), quando ainda trabalhava para a Grande Rio. O projeto foi um ponto de virada: “Desde então, nos apaixonamos pela complexidade e pelo alcance simbólico da obra dele”, relatam os artistas.

Segundo Gabriel Haddad, a escolha da Pedra do Sal para o anúncio do enredo carrega forte simbolismo. “A escolha do local tem total relação, porque a Pedra do Samba é um espaço muito importante para a gente pensar essas noções de pequenas Áfricas ou África em miniatura. E é um conceito muito importante para a gente entender os territórios sambistas. A memória das escolas de samba, a memória do carnaval da cidade, ranchos, blocos, cordões”, afirmou o carnavalesco.

A trajetória de Heitor dos Prazeres

Nascido em 1898, apenas dez anos após a abolição da escravidão no Brasil, Heitor dos Prazeres cresceu na emblemática Praça Onze, berço do samba carioca. Filho de um clarinetista e de uma costureira, teve contato desde cedo com grandes nomes da música popular, como Pixinguinha, Ismael Silva e Nilton Bastos. Sua influência se estendeu não apenas à música — como compositor e intérprete — mas também às artes visuais, tendo se tornado um dos principais nomes da pintura brasileira ligada ao universo do samba e do cotidiano da população negra.

Além de artista plástico consagrado, Heitor foi uma figura fundamental na fundação das primeiras escolas de samba do país. Em suas telas, retratou blocos, ranchos, terreiros, festas e cenas do subúrbio carioca, sempre exaltando a beleza e a resistência da cultura afro-brasileira.

O carnaval de 2026 começa a tomar forma

Com o anúncio da Vila Isabel, o grupo especial do Rio de Janeiro começa a consolidar sua galeria de enredos para o próximo carnaval. O Paraíso do Tuiuti foi o primeiro a divulgar seu tema, abordando a vertente religiosa afro-cubana Lonã Ifá Lukumi, com desenvolvimento de Jack Vasconcelos. A Beija-Flor, atual campeã, celebrará o Bembé do Mercado, tradicional Candomblé de rua realizado há mais de um século no Recôncavo Baiano.

Já a Imperatriz Leopoldinense escolheu homenagear o cantor Ney Matogrosso, enquanto a Viradouro prestará tributo ao mestre de bateria Ciça, figura histórica do carnaval carioca. A Grande Rio, por sua vez, ainda não revelou o enredo oficialmente, mas deu pistas nas redes sociais sugerindo um possível mergulho no movimento cultural manguebeat, surgido em Pernambuco nos anos 1990.

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