O Comunicado da Trilha de Finanças do G20, grupo que inclui as maiores economias do mundo, a União Europeia e a União Africana, publicado na tarde desta sexta-feira (26) depois do encontro ministerial no Rio de Janeiro, manifestou apoio à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada pelo governo brasileiro. O documento menciona ainda a proposta de um acordo global para a tributação de grandes fortunas, proposta também apresentada pelo Brasil.
Esses documentos ministeriais são os primeiros a serem firmados pelo G20 em mais de dois anos, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022. A publicação dessas declarações estava suspensa devido a divergências significativas entre as potências globais, acentuadas pela guerra na Ucrânia e, posteriormente, pelo conflito entre Israel e o grupo Hamas.
O Itamaraty e o Ministério da Fazenda, representados pelo ministro Fernando Haddad, consideraram esses acordos como vitórias da diplomacia brasileira.
As discussões no G20 são baseadas no consenso, sem votação. Quando há divergências importantes, não são publicados documentos conjuntos. No entanto, um acordo preliminar na Trilha dos Sherpas permitiu que divergências maiores em temas geopolíticos fossem registradas em documentos separados, permitindo a retomada de declarações ministeriais.
O Comunicado da Trilha de Finanças abordou as três prioridades estabelecidas pelo Brasil durante sua presidência temporária no G20: o combate à fome e à pobreza, o desenvolvimento sustentável e a reforma dos organismos de governança internacional.
Em relação à fome e à pobreza, o documento acolheu positivamente a aliança global proposta pelo Brasil, comprometendo-se a apoiar e acelerar os esforços para erradicar esses problemas sem duplicar iniciativas existentes.
Sobre o desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas, os ministros apoiaram a agenda do Grupo de Trabalho de Finanças Sustentáveis, focada na transição para uma economia de baixo carbono e na mobilização de financiamento adequado.
Quanto à reforma da governança internacional, o comunicado enfatizou a necessidade de tornar os bancos multilaterais de desenvolvimento, como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), mais eficientes e eficazes, focando em áreas onde a ação coordenada e coletiva pode agregar valor.
Embora potências como os EUA e o Reino Unido não priorizem a taxação dos super-ricos, aceitaram que o comunicado incluísse menções à proposta brasileira, ainda que de forma pouco assertiva.
Com informações de O Globo.





