A casa no Lago Sul de Brasília que foi alugada para sediar o comitê da campanha de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição continua movimentada – e a todo vapor. Só que, agora, virou uma espécie de central do golpe, onde apoiadores do presidente, liderados pelo ex-ministro e ex-candidato a vice Walter Braga Netto se reúnem para discutir estratégias destinadas a questionar o resultado das eleições.
Segundo a coluna de Rodrigo Rangel, no Metrópoles, o general Braga Netto tem dado expediente no local regularmente, na companhia de seu entourage, que inclui oficiais das Forças Armadas.
Nesta semana, a coluna acompanhou o movimento no endereço. Na quinta-feira, por exemplo, Braga Netto recebeu o ex-ministro e deputado federal Osmar Terra, conhecido propagador do discurso radical bolsonarista.
Abordado na saída, Terra admitiu que foi ao local tratar da auditoria contratada pelo PL, o partido de Bolsonaro, para questionar as urnas eletrônicas.
“(A reunião) foi para buscar informações, (saber) se tinha alguma novidade sobre o processo do PL”, disse ele, referindo-se à auditoria. “Queria ter a informação mais adequada”, emendou, acrescentando que segue no aguardo de “novidades”.
Braga Netto e outros integrantes do estado-maior da campanha derrotada de Bolsonaro têm recebido na casa visitas de parlamentares que apoiam o presidente.
Entre os que foram à casa nesta quinta está o deputado federal Marcel Van Hattem, do Partido Novo, também apoiador de Bolsonaro. O gabinete do parlamentar informou que ele foi ao encontro de Braga Netto a convite do senador Eduardo Girão, do Podemos.
Girão, por sua vez, disse à coluna que o assunto da reunião foi também a auditoria das urnas – em mais uma evidência de que a casa tem servido para tramar novos ataques ao sistema eleitoral. Havia pelo menos mais um senador na reunião: Guaracy Silveira, do PP, partido da base aliada do atual governo.
Outras pessoas que estiveram na equipe de campanha de Bolsonaro também frequentam o local. É o caso do coronel da reserva do Exército Marcelo Azevedo, que foi tesoureiro do comitê bolsonarista.
Há um fluxo intenso na casa. O entra-e-sai é permanente. O endereço tem servido ainda para reuniões com manifestantes que engrossam os protestos antidemocráticos. É uma evidência importante sobre a cadeia de comando das manifestações nas portas de quartéis e nas estradas questionando o resultado das eleições.
Na tarde de ontem, por exemplo, chegou à casa uma camionete decorada com a bandeira do Brasil. Dela saiu um homem com uma camisa com inscrições pedindo intervenção militar. Indagado, ele limitou-se a responder que seria recebido por uma pessoa no QG. Não disse por quem. Braga Netto estava lá.
A camionete, uma Amarok de quase R$ 300 mil, tem placa registrada na cidade baiana de Luis Eduardo Magalhães, um dos principais polos do agronegócio do país. Também nesta tarde, uma outra Amarok, cujo proprietário é um empresário do Mato Grosso, chegou à casa. Saiu pouco antes de o general deixar o local.
Um dos veículos que esteve no antigo comitê no início da tarde foi localizado pela reportagem, horas depois, na manifestação bolsonarista no quartel-general do Exército, no Setor Militar Urbano de Brasília (veja abaixo os registros) — eis aí uma prova cabal da conexão entre a chapa derrotada nas eleições e as manifestações de caráter golpista.
O general tem se dividido entre o expediente no “QG do golpe” e visitas frequentes a Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Nesta quinta, ele deixou a casa e foi direto para a residência presidencial, onde declarou a jornalistas que Bolsonaro, recluso há semanas, está recuperado de uma infecção na perna e “deve voltar logo”.
Entre uma reunião e outra no antigo comitê de Bolsonaro no Lago Sul, Braga Netto tem se ocupado ainda em manter acesa, entre os militantes bolsonaristas que protestam contra as eleições, a expectativa de que uma “surpresa” pode acontecer.
Dias atrás, a um prefeito do interior de Mato Grosso que viajou a Brasília para participar dos protestos na frente do quartel-general do Exército, o general disse, sem mais detalhes, que “algo muito bom” vai acontecer até o fim desta semana.
O encontro se deu em um mercado, onde o prefeito Carlos Capeletti, do município de Tapurah, havia ido para comprar mantimentos para o acampamento. Logo depois, Capeletti fez um vídeo relatando o que ouviu e publicou nas redes sociais.
“Eu falei que eu iria embora, que não acreditava em mais nada, e ele (Braga Netto) falou assim: ‘Fica tranquilo que vai acontecer’”, disse o prefeito.
O relato mostra que o general tem insuflado os manifestantes com a expectativa de uma virada de mesa antidemocrática.






Uma resposta para “Comitê de Bolsonaro vira “QG” do golpe onde apoiadores se encontram para discutir sobre resultado das eleições”