Comissão de Saúde da Alerj quer diagnóstico da doença causada pelo cigarro eletrônico para inibir venda

Apesar de proibido, o cigarro eletrônico, que contém nicotina em níveis superiores ao cigarro convencional, segue sendo vendido no país. Como não poderia ser diferente, o Estado do Rio é uma das praças dessa comercialização, cujo tema foi debatido na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta terça-feira (28/11). Para ampliar a…

Apesar de proibido, o cigarro eletrônico, que contém nicotina em níveis superiores ao cigarro convencional, segue sendo vendido no país. Como não poderia ser diferente, o Estado do Rio é uma das praças dessa comercialização, cujo tema foi debatido na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta terça-feira (28/11). Para ampliar a fiscalização na venda do produto, o colegiado pretende ter um diagnóstico dos municípios sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), enfermidade causada pelo tabagismo.

O levantamento será solicitado à Secretaria de Estado de Saúde. Isto porque os especialistas presentes no encontro se mostraram receosos quanto a um possível retrocesso do Brasil no combate ao tabagismo, área em que é referência mundial. A pneumologista Margareth Dalcomo participou da primeira Comissão Antitabágica do Ministério da Saúde. Segundo ela, o país conseguiu reduzir de 40% para 9,5% o número de fumantes na população, além de ter sido pioneiro, em 2009, na proibição do comércio de produtos de tabaco aquecido. Só que o cigarro eletrônico vem ganhando cada vez mais adeptos.

“Há uma legião de novos dependentes da nicotina sendo criado. Os cigarros eletrônicos, ou todo o dispositivo do tabaco aquecido, têm uma concentração de nicotina na composição muitas vezes superior ao cigarro, além das centenas de substâncias das quais nós conhecemos alguma, como o propilenoglicol, que quando entra em combustão é cancerígena”, revela.

A comissão da Alerj também vai encaminhar um documento formal à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para endossar o posicionamento da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) contra a regulamentação dos cigarros eletrônicos no país, que precisa ser cumprida. O alerta maior é que o potencial viciante do cigarro eletrônico atinge mais os jovens.

Segundo o pesquisador, professor e pneumologista da Uerj, Rogério Rufino, a doença causada pelos vaporizadores já foi categorizada como Evali  –  sigla em inglês para Vaping Associated Lung Injury, ou lesão pulmonar induzida pelo cigarro eletrônico. Ele explicou que os resultados de ações de combate agora terão reflexo no futuro.

“O cigarro eletrônico não é uma novidade protetora. Nele, se inala uma quantidade de fumaça quente pelas vias aéreas com algumas substâncias. A nicotina é a principal e, por isso, deixa a pessoa cada vez mais dependente. A Evali vem acometendo jovens de 16 a 20 anos, alguns são intubados e infelizmente fazem até transplante de pulmão”, disse.

O presidente da Comissão, deputado Tande Vieira (PP), pontuou a importância do debate com vista à criação de políticas públicas para conter o uso desenfreado do produto. “O objetivo desta audiência é entender e conhecer as informações mais recentes que se têm sobre os malefícios que o cigarro eletrônico causa na população, e entender de que forma a Alerj pode se posicionar e contribuir com esse desafio da nossa sociedade atual”, afirmou o parlamentar.

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