Em depoimento à Polícia Civil, o comerciante chinês Zhaohu Qiu, de 43 anos, confessou ter matado a jovem Marcelle Júlia Araújo da Silva, de 26 anos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O crime, ocorrido na madrugada do dia 12 de junho, foi inicialmente tratado como desaparecimento, mas rapidamente se transformou em caso de feminicídio após o corpo da vítima ser encontrado em um imóvel do suspeito, coberto por uma lona azul e com marcas de ataque de cães.
Qiu, que foi preso em São Paulo dias após o crime, confessou ter enforcado Marcelle durante depoimento à polícia antes de decidir ficar em silêncio, por orientação de um advogado. Segundo o relato, os dois consumiram álcool e maconha naquela madrugada, mas não tiveram relações sexuais. Ele afirmou ter acordado e encontrado a jovem já sem vida, com marcas no pescoço, e então, movido por medo da polícia e de represálias de criminosos locais, decidiu ocultar o corpo.
“Deduzi que ela estava morta”, afirmou o comerciante, que usou um carrinho coberto por lona para transportar o cadáver até outro imóvel seu, em obras, na Pavuna. Qiu também relatou que se desfez dos pertences da vítima, jogando roupas, bicicleta e celular em um rio da região. O corpo de Marcelle foi encontrado no dia 14 por amigas que conduziram uma busca por conta própria, alertadas pela mãe da vítima após o desaparecimento.
Polícia apura se crime foi premeditado
O caso ganhou contornos ainda mais perturbadores quando imagens de câmeras de segurança revelaram Qiu empurrando um carrinho com a lona azul na madrugada do crime. Testemunhas disseram que ele havia manifestado intenção de vender seus bens, incluindo o trailer onde vendia yakisoba, o que reforça a hipótese de crime premeditado. Uma amiga também contou à polícia que ele teria confessado o homicídio por mensagem: “Já matei, agora vou me matar”.
Além da confissão, outros elementos indicam comportamento recorrente do suspeito. Segundo depoimentos colhidos pela Delegacia de Homicídios da Capital, Qiu promovia festas regadas a drogas e álcool com mulheres mais jovens, sempre com o objetivo de manter relações sexuais. Amigos de Marcelle relataram ainda que o comerciante era obcecado por ela, mas não era correspondido.
Na fuga, Qiu partiu do Rio para a capital paulista, onde permaneceu escondido até ser localizado e preso. A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro pediram sua prisão temporária por 30 dias com base no risco de fuga. A Justiça acatou o pedido, destacando a necessidade de preservar provas e proteger testemunhas.
O acusado deve ser transferido para o sistema prisional do Rio nesta quinta-feira (19), onde passará por audiência de custódia. A Polícia ainda investiga se houve tentativa de fuga internacional, já que Qiu, de origem chinesa, deixou sua casa logo após o crime e evitou qualquer contato com familiares ou conhecidos.





