Combustíveis: Haddad vence o primeiro round, mas Lula faz nova reunião hoje em busca de alternativa para os preços

O presidente Lula se reúne de novo, hoje, com Haddad, com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, para bater o martelo sobre o impostos federais e os preços dos combustíveis para o consumidor. Segundo Haddad, há “pequenos detalhes” para serem decididos. Ontem, foi travada a…

O presidente Lula se reúne de novo, hoje, com Haddad, com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e com o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, para bater o martelo sobre o impostos federais e os preços dos combustíveis para o consumidor. Segundo Haddad, há “pequenos detalhes” para serem decididos.

Ontem, foi travada a primeira batalha, com vantagem para Haddad.

A confirmação de que o governo voltará a cobrar impostos federais sobre gasolina e etanol é uma vitória de Fernando Haddad, que luta pela arredação tributária.

O aceno no sentido de que a Petrobrás tem uma reserva financeira para subsidiar por algum tempo os preços, atenuando os aumentos, é uma vitória do PT e dos que se opõem à política de preços da Petrobrás, como Lula.

A reoneração dos combustíveis é tambémuma vitória da imprensa conservadora, que entende que a Petrobrás não tem direito de interferir nos preços dos combustíveis.

Derrotados, por enquanto, estão os petroleiros, que sempre defenderam a mudança da política que atrela os preços dos combustíveis no Brasil ao mercado internacional, a chamada PPI (Preço de Paridade de Importação) principal causa de todos os aumentos ocorridos durante o governo Bolsonaro.

O governo Lula pretende mudar o PPI, mas ainda não tem maioria dentro do Conselho de Administração da Petrobras para isso — só em abril os indicados pela atual gestão tomarão posse. 

Dados da associação das empresas importadoras de combustíveis apontam que a Petrobras vende hoje a gasolina R$ 0,21 acima do mercado internacional.

A volta integral dos impostos federais sobre a gasolina representaria um impacto de R$ 0,69 por litro do combustível, considerando PIS/Cofins e Cide. No álcool, o impacto seria de R$ 0,24 por litro. Economistas estimam que a inflação chegaria a mais 1% em março com a reoneração.

Apesar de confirmar a volta do imposto, a Fazenda não informou os valores que serão cobrados por litro e nem o novo modelo de cálculo. A ideia é que o combustível fóssil seja mais onerado, de acordo com o Ministério da Fazenda, e que isso seja distribuído ao longo da cadeia. Ou seja, a gasolina terá um imposto maior que o álcool.

Segundo integrantes do governo, não haverá perda de receitas para a União, e o objetivo é alinhar princípios de sustentabilidade ambiental (onerando mais combustível fóssil), social (afetando menos o consumidor) e econômica (preservando a arrecadação).

O valor de R$ 28,9 bilhões previsto no pacote da Fazenda considera como parâmetro a volta da cobrança de imposto sobre gasolina e álcool a partir de 1º de março. O número foi incluído nas previsões oficiais da pasta e não prevê a volta de impostos para diesel e gás de cozinha, que continuarão desonerados até o fim do ano.

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