O Comando Vermelho estaria financiando a ida de integrantes da facção para atuar como voluntários na guerra entre Ucrânia e Rússia com o objetivo de trazer ao Brasil técnicas de combate e treinamento no uso de drones de grande porte. A informação é resultado de investigações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Segundo a polícia, integrantes sem antecedentes criminais recebem apoio financeiro do grupo criminoso, incluindo pagamento de passagens aéreas, para deixar o país rumo ao Leste Europeu. Após retornarem ao Rio, eles seriam encarregados de repassar conhecimentos adquiridos no conflito armado, especialmente sobre a operacionalização de veículos aéreos não tripulados utilizados no transporte de armas e drogas.
Dois brasileiros que teriam participado da guerra já foram identificados pelas autoridades. Ambos retornaram diretamente ao Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, onde estariam envolvidos em treinamentos voltados para traficantes da facção.
Treinamentos com drones preocupam autoridades
Imagens captadas por aeronaves da Polícia Militar flagraram um treinamento realizado com um drone de grande porte em área controlada pela facção. O equipamento possui aproximadamente três metros de extensão e capacidade para transportar até 80 quilos — o equivalente a cerca de 20 fuzis do tipo FAL 762 sem carregadores.
De acordo com o delegado Pablo Sartori, subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública, os suspeitos identificados já estão sendo investigados pela Polícia Civil.
— A saída de muitos deles do Brasil é subvencionada pelo CV. A facção paga a passagem. No caso dos dois identificados, foi produzido um relatório encaminhado à Polícia Civil, e eles estão sendo investigados. A prisão deles é questão de tempo — afirmou o subsecretário.
As investigações também apontam que o grupo criminoso pretende utilizar os drones para ampliar a logística do tráfico em comunidades do Rio de Janeiro, facilitando o transporte de armamentos e entorpecentes entre áreas dominadas pela facção.
Rota internacional usada pelos criminosos
A polícia identificou ainda a rota utilizada pelos integrantes enviados ao conflito no Leste Europeu. Segundo as investigações, os suspeitos não entram diretamente na Ucrânia.
O trajeto normalmente começa por países como Portugal e Holanda. Depois de desembarcarem em Lisboa ou Amsterdã, os brasileiros seguem até a Sérvia e, posteriormente, utilizam transporte terrestre para chegar ao território ucraniano.
O drone identificado pela polícia é semelhante aos utilizados em áreas agrícolas para pulverização e também em sistemas de entrega de cargas. O equipamento pode percorrer até 12 quilômetros e teria custo superior a R$ 200 mil.
Comunidades da Zona Oeste estão no radar
As autoridades acreditam que os drones possam ser usados em operações entre comunidades da Zona Oeste do Rio controladas pelo CV. Entre os pontos estratégicos monitorados estão Gardênia Azul, em Jacarepaguá, e Muzema, no Itanhangá.
As duas regiões são consideradas fundamentais para a expansão territorial da facção na Zona Sudoeste da capital fluminense. Segundo a polícia, traficantes armados partem dessas localidades em tentativas de invasão à comunidade de Rio das Pedras, tradicional reduto de grupos paramilitares.
Um dos investigados teria permanecido por cerca de um ano atuando na guerra da Ucrânia antes de retornar ao Rio de Janeiro. Após voltar ao Brasil, ele teria presenteado o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, com uma placa balística utilizada durante o conflito militar.
Cúpula do CV permanece escondida no Complexo do Alemão
De acordo com os órgãos de inteligência, os treinamentos com drones ocorrem dentro do Complexo do Alemão. A região, ao lado do Complexo da Penha, abriga parte dos principais líderes da facção ainda foragidos.
Entre os nomes citados pelas investigações estão Edgar Alves de Andrade, o Doca; Carlos da Costa Neves, conhecido como Gardenal; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala; e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.
Segundo informações do Conselho Nacional de Justiça, os quatro acumulam, juntos, 82 mandados de prisão expedidos pela Justiça e seguem considerados foragidos pelas autoridades.





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