Novas mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro indicam que o empresário atuou diretamente na estratégia de divulgação do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram divulgadas pelo Intercept Brasil e apontam que uma reportagem sobre o longa foi retirada do ar após reclamação do dono do Banco Master.
A troca de mensagens ocorreu em agosto de 2025 entre Vorcaro e o empresário Thiago Miranda, sócio do Portal Leo Dias. Na conversa, o banqueiro demonstrou insatisfação com a publicação antecipada de uma matéria sobre a produção cinematográfica.
Segundo os diálogos revelados, Miranda concordou que a divulgação naquele momento teria sido inadequada e afirmou que pediria a remoção imediata do conteúdo. O texto acabou apagado do portal e o assunto só voltou a ser tratado meses depois.
Filme teria recebido mais de R$ 60 milhões ligados ao Banco Master
A produção de “Dark Horse” teria recebido mais de 90% de seu orçamento por meio de recursos vinculados a Vorcaro. O financiamento, segundo relatos divulgados anteriormente, teria ocorrido após solicitação do senador Flávio Bolsonaro.
A produtora GoUp, comandada por Karina Ferreira da Gama, informou que o orçamento do longa já alcança cerca de US$ 13 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 65 milhões.
Flávio Bolsonaro confirmou ter recebido mais de US$ 12 milhões para patrocinar a produção. O projeto também teria participação do deputado federal Mário Frias, citado nas conversas entre Vorcaro e Miranda.
As mensagens mostram ainda preocupação com possíveis vazamentos envolvendo nomes ligados ao financiamento do filme. Em um dos trechos, Miranda afirma que havia recebido garantias de que os patrocinadores não seriam expostos publicamente.
Pagamentos a empresa ligada a Leo Dias aparecem em relatório do Coaf
O caso ganhou novos desdobramentos após a divulgação de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontando movimentações financeiras entre o Banco Master e empresas ligadas ao jornalista Leo Dias.
Os documentos indicam que uma empresa de comunicação associada ao jornalista recebeu cerca de R$ 9,9 milhões em pagamentos feitos pelo Banco Master entre 2024 e 2025. Outros R$ 2 milhões teriam sido transferidos por uma companhia abastecida financeiramente com recursos ligados ao conglomerado.
Na época, Leo Dias afirmou que os valores estavam relacionados a contratos publicitários firmados com o Will Bank, empresa que integrava o grupo financeiro posteriormente liquidado pelo Banco Central.
Crise financeira atinge operação digital da IstoÉ
Paralelamente às revelações envolvendo o Banco Master, a IstoÉ enfrenta uma grave crise financeira. O site da publicação ficou fora do ar nos últimos dias e a versão digital da IstoÉ Dinheiro deixou de receber atualizações desde 11 de maio.
Funcionários da redação iniciaram greve após atrasos recorrentes de salários e benefícios. Segundo relatos, também houve interrupção de depósitos de FGTS e suspensão de pagamentos a fornecedores.
A empresa atribuiu os problemas ao bloqueio temporário de ativos financeiros do Grupo Entre, conglomerado empresarial que possui ligação societária com a IstoÉ Publicações.
Banco Central liquidou EntrePay e investiga irregularidades
Em março deste ano, o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da EntrePay e de subsidiárias do grupo.
A decisão ocorreu após o órgão apontar comprometimento da situação financeira da empresa e descumprimento de normas regulatórias. A EntrePay acumulava reclamações envolvendo retenção de recursos e atrasos em repasses financeiros.
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, principal nome do Grupo Entre, passou a ser investigado em suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal também apura se Daniel Vorcaro teria atuado como “dono oculto” da companhia.
Além disso, a Entre Investimentos, outra empresa ligada ao grupo, entrou no radar das investigações por supostos repasses financeiros destinados à produção do filme “Dark Horse”.
Funcionários da IstoÉ relatam insegurança sobre pagamentos
Apesar de a IstoÉ Publicações não possuir contas diretamente bloqueadas pela intervenção do Banco Central, a empresa enfrenta dificuldades de caixa para manter as operações.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo informou que os salários dos funcionários foram atrasados diversas vezes em 2026. Trabalhadores contratados como pessoa jurídica afirmam que os pagamentos estariam suspensos há ainda mais tempo.
Representantes do sindicato se reuniram recentemente com o liquidante responsável pela EntrePay para discutir alternativas que permitam a liberação parcial de recursos e a retomada dos pagamentos.
Enquanto isso, jornalistas e demais profissionais da empresa relatam falta de perspectivas sobre regularização salarial e manutenção dos vínculos de trabalho.
Caso amplia crise envolvendo Banco Master e Grupo Entre
As novas revelações envolvendo o Banco Master, o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro e a crise financeira da IstoÉ ampliam a pressão sobre empresários e empresas ligados ao Grupo Entre.
O caso reúne investigações financeiras, suspeitas de lavagem de dinheiro, bloqueios determinados pelo Banco Central e questionamentos sobre movimentações milionárias envolvendo mídia, entretenimento e instituições financeiras.
Nem Daniel Vorcaro nem Thiago Miranda comentaram oficialmente o conteúdo das mensagens divulgadas. Já o Portal Leo Dias afirmou que optou por republicar informações sobre o filme apenas quando considerou os dados mais consistentes editorialmente.





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