Com sabatina próxima, Messias intensifica busca por apoio da oposição no Senado

Advogado-geral da União busca votos para garantir aprovação ao STF

O advogado-geral da União, Jorge Messias, intensificou a agenda de articulações políticas no Senado após a leitura do parecer sobre sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Com a sabatina marcada para o fim do mês, o foco do indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a ser a conquista de votos entre parlamentares da oposição, onde se concentram as principais resistências ao seu nome.

A movimentação ocorre em uma fase decisiva do processo, em que o apoio político pode definir o resultado da votação. Nos últimos dias, Messias ampliou o diálogo com senadores de diferentes partidos, incluindo lideranças que já manifestaram posição contrária à indicação.

Ofensiva junto à oposição

Na quarta-feira, Messias se reuniu com o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, em um encontro que simboliza a tentativa de reduzir a rejeição dentro de uma bancada que fechou questão contra sua indicação. No mesmo dia, o advogado-geral da União também voltou a se encontrar com o relator do processo, senador Weverton Rocha, que já declarou apoio ao seu nome.

A estratégia inclui conversas diretas e contatos intermediados com parlamentares considerados indecisos. A avaliação é que, mesmo entre partidos que orientaram voto contrário, há margem para dissidências, especialmente por conta do caráter secreto da votação.

Na quinta-feira, Messias se reuniu com o senador Eduardo Girão, que reiterou sua posição contrária após o encontro.

De acordo com o parlamentar, a conversa foi “cordial” e “respeitosa”, mas não alterou sua decisão de votar contra a indicação.

Votação secreta e margem de incerteza

O processo de escolha de ministros do Supremo prevê votação secreta tanto na Comissão de Constituição e Justiça quanto no plenário do Senado. Esse formato é visto como um fator que pode favorecer mudanças de posição de última hora, abrindo espaço para negociações políticas.

Para ser aprovado, o indicado precisa obter ao menos 41 votos favoráveis. A expectativa dentro do governo é de que o placar final seja mais amplo, com projeções que variam entre 48 e 52 votos, segundo aliados.

A sabatina está marcada para o dia 28 de abril. Após essa etapa, o nome de Messias seguirá para votação no plenário da Casa.

Tensão inicial e mudança de cenário

A articulação atual ocorre em um contexto diferente do registrado no fim do ano passado, quando o nome de Messias começou a ser trabalhado. Naquele momento, a relação entre o Palácio do Planalto e o Senado enfrentava ruídos, especialmente pela forma como a indicação foi conduzida.

O anúncio feito por Lula sem comunicação prévia ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, gerou insatisfação nos bastidores. Embora o gesto não seja obrigatório, a prática costuma ser adotada como sinal de articulação política antecipada.

Desde então, o governo buscou recompor o diálogo com lideranças parlamentares e reorganizar sua base de apoio para viabilizar a aprovação.

Reta final antes da decisão

Indicado oficialmente em novembro, Messias teve sua mensagem formal enviada ao Senado apenas no início de abril, o que concentrou o processo de tramitação nas últimas semanas.

Agora, com a proximidade da sabatina, a intensificação das conversas reflete a tentativa de consolidar uma base de apoio suficiente para garantir a aprovação.

Caso tenha o nome confirmado, ele ocupará a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal.

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