Apoio dos evangélicos a Eduardo Paes trava o crescimento do bolsonarista Alexandre Ramagem no campo conservador

Distante de pautas identitárias polêmicas, Paes conseguiu obter a confiança deste público e promover uma inversão de expetativa neste naco do voto conversador

RICARDO BRUNO

Se não conseguiu avançar em negociações com agremiações políticas, Eduardo Paes logrou êxito ao estabelecer conexão com as frações evangélicas do eleitorado carioca.  De acordo com o Datafolha, quase a metade dos eleitores deste campo votam no atual prefeito, exatamente 49%.

Seu principal adversário, Alexandre Ramagem, representante do bolsonarismo, obteve apenas 11% das intenções de voto entre os fiéis das várias denominações. Quase o mesmo percentual de sua posição final na pesquisa, 9%. Este resultado representa uma quebra de paradigma dos parâmetros eleitorais firmados nas últimas eleições no país. Tradicionalmente, bolsonaristas disparam entre evangélicos, resultando em considerável trunfo nas intenções totais de voto.

Distante de pautas identitárias polêmicas, Paes conseguiu obter a confiança deste público e promover uma inversão de expectativa neste naco do voto conservador. O prefeito pôs abaixo a crença, cristalizada nos últimos anos, de que os evangélicos são eleitores cativos de candidatos bolsonaristas. Isto ajuda a explicar a larga vantagem sobre o oponente e pode, em consequência, travar o crescimento de Ramagem em patamar bem abaixo do estimado para o campo  bolsonaista – onde estão os eleitores da  direita ideológica, os evangélicos e alguns radicalóides tipo Daniel Silveira.

Eduardo Paes conseguiu o apoio de quase todos os grandes líderes evangélicos. Estão com ele o pastor pop Claúdio Duarte, responsável por pregações para casais que reúnem milhares de fiéis; o bispo Abner Ferreira, chefe da gigantesca Assembleia de Deus de Madureira; o deputado Otoni de Paula, o pastor Everaldo e  a cantora gospel Fernanda Brum para citar as apoios mais ostensivos.

Mas a rede de adesões à candidatura do prefeito abarca ainda a Igreja Universal. Recentemente, Paes se encontrou com bispo Edir Macedo, no Templo de Salomão, em São Paulo, de onde saiu ungido pelo líder religioso. Até mesmo Marcelo Crivella liberou seu time para seguir com prefeito, embora, por estratégia, a decisão tenha sido mantida em sigilo. Não interessa aos dois a divulgação.

E mais: o estridente pastor Silas Malafaia, cabo eleitoral de Jair Bolsonaro de atuação mais contundente, também vê com simpatia a reeleição do prefeito. A quem o pergunta, responde: “Eduardo é meu amigo. Nada tenho contra ele”.  

É o  bastante para Eduardo Paes.

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