A Colômbia intensificou, neste domingo (8), uma grande operação para localizar os mandantes do atentado a tiros contra o senador Miguel Uribe, pré-candidato à Presidência da República em 2026. A informação é do jornal O Globo, que acompanha os desdobramentos do caso desde o ataque ocorrido na tarde de sábado, durante um ato de campanha no bairro El Golfito, em Bogotá.
Uribe, de 39 anos, foi atingido por pelo menos três disparos e levado em estado crítico à Fundação Santa Fé, onde passou por uma cirurgia de emergência. Segundo boletim divulgado pela instituição, o político está internado na UTI, com quadro de gravidade máxima e prognóstico reservado. O prefeito da capital, Carlos Fernando Galán, classificou o momento como de “horas críticas” para a sobrevivência do senador.
Um adolescente de 15 anos foi detido como suspeito de ter efetuado os disparos. Ele foi ferido na perna durante troca de tiros com os seguranças de Uribe e permanece hospitalizado. O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, afirmou que o jovem foi “instrumentalizado por criminosos” para executar o atentado. “Mais de 100 investigadores da nossa Polícia Nacional foram enviados juntamente com a Procuradoria Geral da República e toda a comunidade de inteligência para descobrir o mais rápido possível quem estava por trás desses eventos”, declarou o ministro após reunião com o presidente Gustavo Petro e integrantes das Forças Armadas.
Petro também pediu apuração rigorosa e que as investigações incluam a conduta dos agentes de segurança do político. “Todas as hipóteses estão abertas”, disse o presidente.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento exato do atentado. Em uma das gravações, um jovem saca uma arma por trás de uma estrutura de madeira. Em seguida, vê-se Uribe cair ao ser atingido na cabeça. Outra filmagem mostra o senador desacordado, com o rosto coberto de sangue, sendo socorrido por aliados.
Miguel Uribe é filiado ao Centro Democrático, principal partido de direita da Colômbia, fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, e anunciou sua pré-candidatura em outubro de 2024. A campanha eleitoral ainda não começou oficialmente, mas diversos políticos já se movimentam no país. Uribe é conhecido por sua postura crítica ao governo de esquerda de Gustavo Petro, às guerrilhas e ao narcotráfico. Até o momento, não havia registros públicos de ameaças contra ele.
O atentado provocou reações em diversas partes do mundo. Países europeus, organismos multilaterais e vizinhos sul-americanos condenaram a violência política. Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o episódio seria consequência da “retórica violenta da esquerda” e cobrou que o governo Petro modere seu discurso. A declaração foi repudiada pelo presidente colombiano, que classificou a afirmação como “oportunista”.
Em pronunciamento, Petro também defendeu medidas para proteger a vida do adolescente detido. “Precisamos cuidar da vida desse jovem. Se o matarem, perdemos o elo que pode levar aos verdadeiros autores intelectuais”, disse.
Uribe vem de uma família tradicional da política colombiana. É neto do ex-presidente Julio César Turbay Ayala e filho da jornalista Diana Turbay, morta em 1991 durante uma operação militar para resgatá-la de um sequestro ordenado por Pablo Escobar. O senador foi vereador, secretário de Governo de Bogotá e disputou a prefeitura da capital em 2019, sem sucesso. Desde 2022, ocupa uma cadeira no Senado.
Após o ataque, manifestantes saíram às ruas em cidades como Bogotá, Medellín e Cali para protestar contra a violência política e exigir justiça. A expectativa é que novos atos de repúdio aconteçam nos próximos dias. Enquanto isso, as autoridades intensificam a caça aos responsáveis intelectuais por trás do atentado que abalou o país e reascendeu o alerta sobre os riscos no processo eleitoral colombiano.





