Na reta final da eleição, um velho instrumento das campanhas ganhou versão digital e passou a circular intensamente pelos celulares dos eleitores. Candidatos, militantes, cabos eleitorais e simpatizantes transformaram as chamadas “colas” eleitorais em uma espécie de santinho virtual, enviado principalmente por WhatsApp para amigos, parentes, colegas de trabalho e grupos de contatos.
A estratégia ganhou força porque a eleição deste domingo (4) exige que o eleitor faça seis escolhas na urna: deputado federal, deputado estadual, dois votos para senador, governador e presidente. A sequência oficial começa pelos cargos proporcionais e termina com as disputas pelos governos estaduais e pela Presidência.
Nos bastidores das campanhas no Rio, relatos de candidatos e apoiadores indicam que o envio das colas encontrou um terreno especialmente fértil entre eleitores que já haviam escolhido presidente ou governador, mas chegavam às últimas horas antes da votação ainda sem nomes definidos para o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa.
Santinho digital abre disputa pelo voto indefinido
Em vez de mandar apenas o número de um candidato, apoiadores passaram a compartilhar imagens ou links com uma chapa completa. A lógica é simples: o eleitor recebe no celular uma sequência (santinho ou cola) pronta com os números, nomes e pequenas fotos dos candidatos para cada cargo e pode utilizá-la como referência para preparar sua própria cola.
Há ferramentas independentes criadas especificamente para isso. O aplicativo De Olho nas Eleições, por exemplo, permite guardar os números escolhidos cargo por cargo e conferir nome, fotografia e partido. Já plataformas disponíveis na internet permitem montar uma composição completa e compartilhar a seleção por meio de um link.
É justamente nessa montagem que candidatos tentam avançar sobre os votos ainda não consolidados. Segundo relatos colhidos durante a manhã deste domingo, não são raras as respostas de eleitores agradecendo a sugestão e admitindo que ainda não tinham escolhido um ou mais candidatos, principalmente para deputado estadual, deputado federal e senador.
Segundo as últimas pesquisas eleitorais, o índice de indecisos para o Senado no estado do Rio de Janeiro está em cerca de 40%, sendo maior ainda quando se trata da votação para deputados federal e estadual.
Ferramenta do PT só aceita Eduardo Paes na cola para governador
Partidos e campanhas também desenvolveram mecanismos próprios para estimular a montagem e o compartilhamento das chapas. No Rio, usuários de uma ferramenta associada ao PT relataram uma particularidade: ao tentar produzir uma cola com outro candidato ao governo estadual, a versão destinada ao compartilhamento apresentaria Eduardo Paes (PSD), número 55, como candidato a governador.
Paes disputa o Palácio Guanabara pelo PSD e tem o número 55. O PT integra a coligação do candidato no Rio. A situação chama atenção porque, em ferramentas independentes, o eleitor pode formar combinações entre candidatos de diferentes partidos. Em algumas plataformas voltadas especificamente a campanhas, porém, há inclusive a possibilidade de deixar determinados candidatos previamente preenchidos e “travados” na cola compartilhada.
Celular fica fora da cabine
A ofensiva digital termina, porém, antes da urna. O Tribunal Superior Eleitoral recomenda que o eleitor prepare uma cola, mas orienta que os números sejam levados em papel. Celulares, máquinas fotográficas, filmadoras e outros equipamentos eletrônicos não podem entrar na cabine de votação.
O próprio TSE intensificou neste ano uma campanha para estimular o uso da colinha. Segundo o tribunal, a iniciativa alcançou milhões de visualizações nas redes sociais. O objetivo é reduzir esquecimentos, acelerar a digitação dos seis votos e diminuir o tempo de permanência dos eleitores nas seções.







Deixe um comentário