O governador Cláudio Castro se manifestou, nesta quinta-feira (4), sobre a prisão do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar. Segundo ele, o episódio é acompanhado com atenção, ressaltando a importância de garantir ao parlamentar o direito ao devido processo legal.
“Acompanho os fatos, ocorridos no dia de ontem, com a devida atenção institucional. Rodrigo Bacellar é chefe do Poder Legislativo do Rio de Janeiro e é necessário garantir o direito ao devido processo legal. Mantenho a confiança na condução técnica e imparcial do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, responsáveis pela investigação”, diz a nota.
Bacellar, que comanda o Poder Legislativo fluminense, foi detido na quarta-feira (3) em uma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e conduzida pela Polícia Federal. A ação mira o suposto vazamento de informações sigilosas sobre a Operação Zargun, deflagrada em setembro, quando o então deputado estadual TH Joias acabou detido.
“Todos os esclarecimentos solicitados pelo STF ao Executivo já foram respondidos, reafirmando nosso compromisso com a legalidade, a transparência e o pleno funcionamento das instituições”, acrescenta Castro.
De acordo com a PF, agentes públicos teriam antecipado detalhes internos da investigação, o que, na avaliação dos investigadores, comprometeu o andamento da Zargun e atrapalhou diligências planejadas pela corporação.
Relembre a prisão
Para Moraes, há indícios de que o presidente da Alerj atuou para atrapalhar investigações sobre a facção. Segundo a PF, Bacellar teria alertado TH, na véspera da ação, sobre mandados que seriam cumpridos.
Após receber o aviso, TH Joias retirou objetos da própria casa e chegou a organizar uma mudança para eliminar provas, utilizando um caminhão-baú. O deputado também apagou o conteúdo do celular e passou a usar um aparelho novo.
Nesse novo telefone, porém, TH Joias manteve conversas com Bacellar. Em um vídeo enviado ao presidente da Alerj, o deputado perguntou se poderia deixar para trás alguns objetos, como um freezer.
Bacellar respondeu: “Deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido”.
O diálogo foi recuperado pelos investigadores. As mensagens, segundo a PF, indicam que Bacellar atuou para alertar o colega de parlamento e interferir na operação. A polícia ainda tenta identificar quem repassou a ele as informações sigilosas.
A defesa nega qualquer irregularidade e classifica a prisão como desproporcional.
Relação com Castro
Com a indicação de Thiago Pampolha, então vice-governador, para o Tribunal de Contas do Estado, uma articulação que contou com o aval de Cláudio Castro, Bacellar passou a assumir o governo sempre que o titular se ausentava do estado.
A movimentação ampliou sua projeção política e o colocou como nome praticamente certo da centro-direita para a disputa de 2026, respaldado pelo próprio governador.
No entanto, a relação com Castro, antes marcada por sintonia, entrou em colapso quando Bacellar, no exercício interino do governo, exonerou o secretário de Transportes Washington Reis.
A decisão provocou reação dura de Castro, que ressaltou a falta de diálogo e a ausência de uma aprovação prévia de sua parte e dos campos políticos de sua base, antes da decisão tomada pelo presidente da Alerj.
Vazamento de dados sigilosos
A ação que prendeu o presidente da Alerj mira o suposto vazamento de informações sigilosas sobre a Operação Zargun, deflagrada em setembro, quando o então deputado estadual TH Joias acabou detido.
A ofensiva desta quarta-feira inclui um mandado de prisão preventiva, cumprido contra Bacellar, além de oito mandados de busca e apreensão e uma ordem de intimação para medidas cautelares alternativas à prisão. Todos foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.
A Alerj informou que ainda não foi comunicada oficialmente sobre a operação ocorrida nesta manhã. “Assim que tiver acesso a todas as informações, irá tomar as medidas cabíveis”, diz a nota.
Relembre prisão de TH Joias
A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) prenderam, em setembro, Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (MDB).
O parlamentar é investigado por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e negociação de armas com o Comando Vermelho (CV). Ele foi detido em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste.
A Operação Zargun, da Polícia Federal, cumpriu 18 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão, além do sequestro de bens avaliados em R$ 40 milhões.
Segundo as investigações, o esquema de corrupção envolvia o deputado TH Joias, chefes do Comando Vermelho e outros agentes públicos — entre eles um delegado da PF, policiais militares e ex-secretários.






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