*Paulo Baía
Ao analisar um conjunto de pesquisas publicadas entre os dias 12 e 16 de setembro, separadamente – sem jamais compará-las, pois não se pode comparar pesquisas de agências e institutos distintos – nota-se que a situação de Lula em relação ao Bolsonaro é de uma diferença consolidada de pelo menos dez pontos percentuais. É uma diferença importante para o dia 2 de outubro. Essa perspectiva está presente em todas as pesquisas analisadas isoladamente.
A resiliência eleitoral de Ciro Gomes/PDT e Simone Tebet/MDB impede Lula de vencer no primeiro turno, no dia 02/10.
Quero dizer que, hipoteticamente, com simulações com base em cada uma das pesquisas analisadas, se metade dos eleitores que hoje votam em Ciro Gomes e Simone Tebet votarem nulo, ou se 30% dos eleitores de Ciro Gomes e Simone Tebet migrarem para Lula e Bolsonaro, 15% para Lula e 15% para Bolsonaro, Lula vence essa eleição no primeiro turno, no dia 02 de outubro, Lula ultrapassa os 50%. Observa-se isso em todas as pesquisas, basta usar um simples software de simulação em cada série histórica.
Volto a insistir, não é comparar pesquisas do Instituto/agências diferentes; isso não se faz, não existe um redutor de pesquisas que as nivele, mesmo com uma hipotética média ponderada.
O que se pode analisar é cada série histórica, cada pesquisa, a história traçada pelas pesquisas do mesmo Instituto/agência.
Para essa análise, foram consultadas as pesquisas do Datafolha, IPEC, IPESP, Atlas, MDA e Quaest.
A fidelidade de voto – muito bem diagnosticada por essas pesquisas – declarada para Lula e Bolsonaro não é declarada para Ciro Gomes e Simone Tebet.
Creio que os estrategistas da campanha de Lula, que precisa crescer em progressão aritmética, vão incentivar a tese de voto útil, para forçar uma migração de votos de Ciro Gomes e Simone Tebet para Lula já no dia 02/10.
A migração do voto de Simone Tebet para Lula não é tão fácil assim, dependendo da região tende mais para Jair Bolsonaro, como na região sul, onde com certeza a maioria iria para Jair Bolsonaro; na região centro-oeste se dividem meio a meio entre Lula e Bolsonaro.
Na região nordeste a maioria dos eleitores de Simone iria para Lula, na região norte também se dividiriam meio a meio entre Lula e Bolsonaro.
Essa tese do voto útil, esse conceito tático é fundamental para Lula chegar a cinquenta por cento dos votos validos e vencer Bolsonaro já no dia 02/10.
Já para os estrategistas de Jair Bolsonaro, é importante que Ciro Gomes e Simone Tebet continuem bem votados.
Ciro Gomes com 8%, Simone com 3% e os demais candidatos somados chegando a 2%, conquistando assim 13% dos votos válidos assegura segundo turno. Isso é tudo com que Jair Bolsonaro sonha nesse momento.
Jair Bolsonaro precisa de Ciro Gomes, Simone Tebet, Soraya Thronicke fortes e de alguns votos nos demais candidatos, como Eymael/DC, Péricles/UP e Vera/PSTU.
No dia 16/09 de foi lançado um “Manifesto dos Trabalhistas”, de lideranças do PDT, criticando duramente Ciro Gomes e apoiando Lula da Silva. Esse manifesto publicado pelos trabalhistas em defesa de Lula tende a ganhar adesões no PDT, no MDB e no União Brasil.
A campanha de Ciro Gomes é o foco desse tática/pressão. Mas na campanha de Simone Tebet existe um núcleo do MDB, muito forte, que já está trabalhando para essa migração de votos para Lula da Silva.
Sem contar uma certa ebulição no meio das principais lideranças evangélicas do país, na medida em que os evangélicos, ao contrário do que alguns dizem, foram muito bem tratados nos governos Lula de 2003 até 2010, fizeram parte do governo em postos numerosos e importantes. Nesse sentido já percebe-se que nessa reta final, a duas semanas da eleição com Lula favorito, lideranças evangélicas também tendem a se dividir e migrar de Jair Bolsonaro para Lula. Essa perspectiva já é detectada na última pesquisa do Datafolha, em que Lula cresceu nos meios evangélicos.
São 15 dias para o tudo ou nada, para Lula no dia 02/10 conseguir cinquenta por cento mais um voto válido e vencer no primeiro domingo de outubro de 2022.
*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ





