Ciro Gomes é condenado por violência política de gênero contra prefeita do PT no Ceará

Ex-ministro foi sentenciado pela Justiça Eleitoral após declarações consideradas misóginas contra Janaína Farias durante disputas políticas no Ceará

Pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes foi condenado pela Justiça Eleitoral por violência política de gênero contra a prefeita de Crateús, Janaína Farias. A decisão envolve declarações feitas pelo ex-ministro em 2024, quando ele atacou a então suplente de senadora com termos considerados ofensivos e misóginos.

Na época, Janaína ocupava temporariamente uma cadeira no Senado Federal e passou a ser alvo de críticas públicas de Ciro. Durante entrevistas e eventos políticos, o ex-ministro utilizou expressões como “cortesã” e afirmou que a petista exercia funções ligadas a “assuntos de cama” do ministro da Educação, Camilo Santana.

A sentença inicial determinou pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, além do pagamento de multa de R$ 4,2 mil. Posteriormente, a Justiça converteu a punição em penas alternativas, incluindo indenização à prefeita. Ciro Gomes informou que irá recorrer da decisão.

Prefeita comemora decisão judicial

Após a condenação, Janaína Farias publicou mensagem nas redes sociais afirmando que a decisão representa uma vitória para as mulheres brasileiras. Segundo ela, o caso não pode ser tratado como algo normal no ambiente político.

“Não podemos relativizar a misoginia jamais”, escreveu a prefeita ao comentar a sentença.

Já Ciro Gomes afirmou acreditar que as instâncias superiores poderão rever a condenação. O ex-ministro declarou que espera uma análise “fora do calendário de interesses eleitorais”.

O episódio ganhou grande repercussão nacional por envolver acusações de violência política de gênero, tema que tem recebido atenção crescente da Justiça Eleitoral nos últimos anos.

Declarações ocorreram durante disputa política no Ceará

Os ataques começaram logo após Janaína Farias assumir vaga no Senado pelo Ceará. Aliada próxima de Camilo Santana, ela passou a ocupar o posto após a licença da então suplente Augusta Brito, que assumiu cargo no governo estadual.

Durante entrevista ao portal “A Notícia Ceará”, Ciro Gomes questionou a capacidade da parlamentar para exercer o mandato e afirmou que ela realizava “serviço particular” para o ministro da Educação.

Em seguida, durante evento partidário do PDT no Ceará, o ex-ministro voltou a atacar Janaína, chamando-a de “assessora para assuntos de cama”. As declarações viralizaram nas redes sociais e provocaram forte reação de aliados do PT.

Novos ataques ampliaram repercussão do caso

Cerca de vinte dias depois, Ciro retomou as críticas em nova entrevista, desta vez ao “Jornal Jangadeiro”. Na ocasião, voltou a usar termos pejorativos contra Janaína Farias, incluindo referências a “assessora para assuntos de alcova” e “cortesã”.

As falas foram incluídas no processo judicial que resultou na condenação por violência política de gênero. O entendimento da Justiça foi de que as declarações ultrapassaram o campo da disputa política e atingiram a honra da então senadora de forma discriminatória.

O caso também evidenciou o agravamento do embate político entre Ciro Gomes e o grupo liderado por Camilo Santana e Cid Gomes no Ceará. Atualmente, Cid, irmão de Ciro, integra um campo político adversário ao ex-ministro no estado.

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