O ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes oficializou sua saída do PDT, partido ao qual foi filiado por quase duas décadas. Segundo a Folha de S.Paulo, Ciro enviou uma carta ao presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, pedindo a desfiliação em meio à aproximação do PDT com o governo do petista Elmano de Freitas no estado. A decisão ocorre em um momento em que o político reavalia seus rumos para as eleições de 2026.
A ruptura marca o fim de uma das trajetórias mais emblemáticas da política trabalhista recente. Ciro, que disputou a Presidência da República quatro vezes — a última em 2022, quando ficou em quarto lugar —, vinha demonstrando insatisfação com os rumos do partido desde o início do ano. Em entrevista concedida à rádio Itatiaia no fim de setembro, ele afirmou estar “muito infeliz” no PDT, antecipando o movimento que agora se concretiza.
Aliança no Ceará precipitou a saída
A gota d’água para o rompimento foi o apoio do PDT ao governo de Elmano de Freitas, do PT, no Ceará — uma aliança que Ciro e seus aliados mais próximos consideram uma contradição política. O ex-governador é um dos mais duros críticos tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do governador cearense, com quem mantém embates públicos desde o rompimento político de sua família com o grupo petista em 2022.
Nos bastidores, o gesto também tem relação direta com o tabuleiro eleitoral de 2026. Ciro avalia se candidatar novamente ao governo cearense e, para isso, vem costurando aproximações com partidos de centro e direita, como o PSDB e o União Brasil.
Conversas com o PSDB e União Brasil
Em julho, Ciro se reuniu com a cúpula tucana e chegou a afirmar que seu retorno ao PSDB “já estava decidido”. O movimento, que ainda não foi formalizado, reforça uma mudança de eixo político do ex-ministro, que tem se afastado progressivamente da esquerda e se aproximado de lideranças liberais e conservadoras no estado. O União Brasil também manifestou interesse em recebê-lo, enxergando nele um nome competitivo para as próximas eleições.
Reações dentro do PDT
A saída foi lamentada por figuras históricas do partido. O presidente municipal do PDT em São Paulo, Antonio Neto, classificou o dia como “triste para o trabalhismo brasileiro”. Em nota, afirmou que “perde um companheiro de partido, mas não um amigo”, destacando a contribuição de Ciro ao projeto nacional e popular de desenvolvimento defendido pela legenda.
Com a desfiliação, o PDT perde uma de suas principais referências nacionais, enquanto Ciro Gomes dá início a uma nova fase política — mais distante do campo progressista e em busca de um novo abrigo partidário para disputar o poder no Ceará e, eventualmente, voltar à cena nacional em 2026.






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