Ciro Gomes decide em maio se concorre à presidência e fala em humilhação na política

Convite de Aécio Neves coloca nova candidatura presidencial em análise e Ciro divide atenção entre cenário nacional e planos no Ceará.

O ex-ministro Ciro Gomes afirmou neste sábado (25) que ainda não decidiu se disputará novamente a Presidência da República em 2026. Durante evento do PSDB em São Paulo, ele declarou que tomará uma decisão apenas no mês de maio, apesar de reconhecer que, “se tivesse juízo”, não entraria novamente na disputa.

A possível candidatura voltou ao centro do debate após convite do deputado Aécio Neves, presidente da sigla, para que o ex-governador volte a concorrer ao Palácio do Planalto.

Ao falar com jornalistas antes de subir ao palco, Ciro expressou incerteza sobre o futuro político. “Eu quis muito, mas não consegui [ser presidente]. E, na última eleição, eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar”, afirmou.

Na sequência, reforçou o tom crítico ao ambiente eleitoral recente. “Se eu tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar parabéns nem para dar os pêsames”, disse.

Apesar disso, ponderou que o convite do PSDB o obriga a refletir. Segundo ele, a decisão será tomada nas próximas semanas.

Lembranças de 2022

Na eleição de 2022, quando ainda estava no PDT, Ciro disputou a Presidência pela quarta vez e terminou em quarto lugar, com cerca de 3% dos votos válidos. Durante a campanha, enfrentou pressão para desistir da candidatura, sob o argumento de evitar divisão de votos no campo progressista.

No segundo turno, declarou apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, mas sem participação ativa na campanha.

Planos no Ceará e cenário político

Antes do convite do PSDB, Ciro articulava uma candidatura ao governo do Ceará. Ele justificou o movimento ao afirmar que encontrou o estado em “situação de entrega absoluta ao crime organizado” após retornar da disputa nacional.

Segundo o ex-ministro, há espaço para alianças locais que superem divergências nacionais. Ele chegou a considerar uma composição que incluiria o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora o grupo bolsonarista tenha outros planos eleitorais no estado.

Durante o evento em São Paulo, Ciro também fez críticas ao governo federal, mencionando o endividamento das famílias e a ausência, segundo ele, de um plano estratégico para minerais considerados essenciais, como as terras raras.

Críticas econômicas e discurso nacional

No palco, o ex-governador ampliou o tom das críticas ao comentar decisões econômicas recentes. “Ainda nesta semana, o governo decidiu autorizar que se use o FGTS dos trabalhadores para honrar dívidas”, afirmou.

Ele destacou a importância do fundo tanto para financiamento de políticas públicas quanto para o trabalhador em momentos de necessidade. “Agora, com aplauso das centrais sindicais, esse dinheiro vai para os bancos”, declarou.

Ciro concluiu afirmando que o país precisa de uma “ruptura” e que pretende contribuir com o debate, independentemente da decisão eleitoral.

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