A cineasta brasileira Barbara Marques, de 38 anos, foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no dia 16 de setembro, em Los Angeles, durante a entrevista para obter a residência permanente no país, o green card. Ela estava acompanhada do marido, o americano Tucker May, com quem se casou em abril deste ano.
Segundo May, a entrevista no Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) parecia ter transcorrido normalmente, até que um funcionário informou que faltava apenas a cópia do passaporte de Barbara. Alegando que a máquina de cópias estava quebrada, o agente pediu que a brasileira o acompanhasse até outra sala. Nesse momento, ela foi surpreendida e levada por agentes do ICE.
O marido relatou que só soube da prisão cerca de 15 minutos depois. “Ela foi algemada, entrou em desespero e contou que um agente chegou a tirar uma selfie com ela chorando”, disse May, em entrevista à BBC News Brasil.
Ordem de deportação antiga
De acordo com o advogado do caso, Marcelo Gondim, a brasileira entrou nos EUA em 2018 com visto de turista e pediu extensão antes do vencimento. No entanto, ela não teria recebido a notificação da negativa nem a convocação para audiência em 2019, provavelmente por ter mudado de endereço. Isso resultou em uma ordem de deportação que motivou a prisão.
O advogado ressaltou que Barbara não tem antecedentes criminais e que, em casos assim, o procedimento padrão seria suspender o processo do green card e conceder prazo para regularizar a situação.
Trajetória no cinema
Natural de Vitória (ES), Barbara é formada em cinema pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro. Antes de dirigir filmes, atuou como atriz e produtora. Ela é responsável pelas obras “Dias de Cosme e Damião” (2016), “Cartaxo” (2020) e “Pretas” (2021).
Críticas à política migratória
O caso reacendeu críticas às políticas migratórias do governo Donald Trump, que intensificou detenções e deportações de imigrantes sem documentos, mesmo sem histórico criminal. Segundo dados oficiais, a meta do governo era realizar até 3 mil prisões por dia.
A ACLU (União Americana pelas Liberdades Civis) entrou, em 23 de setembro, com uma ação coletiva alegando que imigrantes têm sido detidos sem o devido processo legal.
Situação de Barbara Marques
Desde a detenção, Barbara foi transferida de centros de imigração na Califórnia para o Arkansas e, atualmente, está em uma unidade na Louisiana. O marido afirma que ela enfrenta condições precárias, como longos períodos sem alimentação adequada.
“Ela está aterrorizada. Contou que passou mais de 12 horas sem comida e que recebeu apenas pão com queijo. O ICE parece agir com prazer em atormentar os detidos”, disse Tucker.
A comunidade brasileira de Pasadena, onde Barbara mora, expressou solidariedade. O brasileiro Christopher de Barros afirmou: “Ela veio para os EUA realizar o sonho no cinema. Sempre foi gentil e pé no chão. Fiquei horrorizado ao saber da forma como está sendo tratada.”
O Itamaraty confirmou que acompanha o caso e presta assistência consular.






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