CIEPs completam 40 anos com legado de Brizola, Darcy Ribeiro e Niemeyer ainda em debate

Primeira unidade foi inaugurada em 8 de maio de 1985, no Catete, com a proposta de educação integral pública e gratuita

Há exatos 40 anos, em 8 de maio de 1985, era inaugurado no Rio de Janeiro o primeiro Centro Integrado de Educação Pública (CIEP), um projeto ambicioso que unia arquitetura, pedagogia e política pública em torno de uma escola de tempo integral. Segundo informa o colunista Ancelmo Gois, do jornal O GLOBO, a unidade inicial foi instalada no bairro do Catete, Zona Sul da capital fluminense, e recebeu o nome de Presidente Tancredo Neves, falecido poucos dias antes, em 21 de abril daquele ano.

O projeto arquitetônico foi assinado por Oscar Niemeyer, e a proposta pedagógica teve como mentor intelectual o antropólogo Darcy Ribeiro, à época vice-governador do Rio de Janeiro. A iniciativa foi lançada durante o primeiro mandato do governador Leonel Brizola, e ficou nacionalmente conhecida pelo apelido de “Brizolão” — nome incorporado à propaganda política do então chefe do Executivo estadual.

A proposta representava uma ruptura com o modelo tradicional de ensino da época. A primeira turma, formada majoritariamente por crianças vindas do Morro Santo Amaro, ganhou acesso a uma estrutura raríssima mesmo entre colégios particulares: quadra esportiva, atendimento médico e odontológico, salas de leitura, oficinas de artesanato e a presença de animadores culturais.

A ideia central era oferecer educação pública de qualidade em tempo integral para a população de baixa renda, com um modelo que garantisse não apenas formação escolar, mas também suporte social e acesso à cultura.

Desde então, os CIEPs acumularam tanto elogios quanto críticas. Houve quem visse no projeto um marco revolucionário na educação brasileira, enquanto outros apontaram falhas na execução, dificuldades de manutenção e descontinuidade das políticas públicas que sustentavam o modelo.

Com o tempo, outras iniciativas de escolas em tempo integral surgiram em diversos estados do país, inspiradas, em parte, pelo conceito original dos CIEPs, mas adaptadas a diferentes contextos e formatos. Ainda assim, para muitos especialistas em educação, o recado deixado por Darcy Ribeiro segue atual.

“O Brasil não sai do lugar se não tiver uma escola pública de qualidade” — dizia o educador, uma das principais vozes em defesa de uma educação emancipadora, universal e integral.

Quatro décadas depois da inauguração da primeira unidade, o debate sobre a viabilidade e a urgência da escola pública de tempo integral continua vivo. Em tempos de desigualdade crescente e de novos desafios educacionais impostos pela era digital e pela crise socioeconômica, o legado do Brizolão ainda provoca reflexão.

A data é simbólica não apenas por marcar a inauguração de um modelo arquitetônico e pedagógico, mas também por lembrar o esforço de figuras históricas que, cada uma a seu modo, tentaram transformar a escola pública brasileira em um instrumento real de justiça social.

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