Não foi de Darcy Ribeiro mas sim de Nestor Rocha a ideia original de construção do Sambódromo

Aprovada por Brizola, a proposta acabou encampada por Darcy Ribeiro, que trouxe para si a responsabilidade de executá-la sob a inspiração dos traços de seu amigo Oscar Niemeyer.

RICARDO BRUNO

Nem todas as histórias sobre a construção do Sambódromo são plenamente conhecidas. Quatro décadas após ser construído, afloram depoimentos inéditos com as versões originais a respeito da obra, palco da mais emblemática festa popular brasileira. Um dos relatos mais relevantes vem do ex-presidente da Riotur à época, o atual conselheiro do Tribunal de Contas, Nestor Rocha.

É dele, e não de Darcy de Ribeiro como ficara registrado na história, a ideia original de trocar as arquibancadas metálicas provisórias por uma passarela definitiva, imponente, à altura do espéculo protagonizado pelas escolas de samba.

Aprovada por Brizola, a proposta acabou encampada por Darcy Ribeiro, que trouxe para si a responsabilidade de executá-la sob a inspiração dos traços de seu amigo Oscar Niemeyer.

Leia o relato histórico de Nestor Rocha:

“Numa manhã de abril de 1983, fomos, eu e o Gessy (Gessy Sarmento, secretário particular do então governador)  ao Galeão buscar Brizola, que retornava de Porto Alegre. Ainda no carro, comentei com Gessy sobre meu projeto de erguer uma passarela fixa para os desfiles. Na volta, já no apartamento de Brizola em Copacabana, apresentei ao governador o projeto inicial, desenvolvido por dois arquitetos da própria Riotur.

Eram estruturas metálicas, sob as quais havia espaço para muitas salas de aula. A ideia era fazer um acordo com a Companhia Siderúrgica Nacional, que topava fornecer o material num acordo para pagar sua enorme dívida com o fisco fluminense.

A proposta original previa a construção de piscinas, que não foram construídas porque ali embaixo passa um rio.

O projeto criava, também, um espaço enorme embaixo das arquibancadass para a construção de escolas pré-moldadas como as que foram criadas pelo Brizola quando governador do Rio Grande do Sul. Quando toquei no assunto das escolas, o Brizola pulou de alegria.

Era sempre aquele monta e desmonta. Era um absurdo, caríssimo, porque as empresas se juntaram e fizeram um cartel, e aí botavam o preço que queriam para fazer aquilo, geralmente em ritmo de emergência.

Brizola gostou da ideia e me autorizou a ir em frente. Por muito pouco, o arquiteto Sérgio Bernardes não foi o responsável pela versão final. Levado pela Terezinha (mulher de Gessy), cheguei a me reunir com ele na Barra.

Semanas depois, por iniciativa de Darcy Ribeiro, a proposta foi levada a Oscar Niemeyer, que apresentou um projeto imediatamente aprovado por todos. As características construtivas, com aquelas “gotas”, em linhas sinuosas, não permitiriam sua construção em aço.

E assim, conseguimos em tempo recorde, fazer o carnaval de 84 já na nova passarela. Em poucos meses, materializamos o sonho, idealizado por mim, projetado por Niemeyer, abraçado por Darcy e executado sob as ordens de Leonel de Moura Brizola”.

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