Cientista da Fiocruz que combate a dengue entra na lista da ‘Time’ como um dos mais influentes do mundo

Luciano Moreira é reconhecido por desenvolver método com bactéria que reduz a transmissão do vírus e amplia impacto na saúde pública

A edição de 2026 da lista das 100 pessoas mais influentes do mundo, divulgada pela revista Time, destacou o trabalho do pesquisador brasileiro Luciano Moreira, da Fiocruz. O cientista foi incluído pelo impacto de sua pesquisa no combate à dengue, uma das doenças mais recorrentes no Brasil e em outros países tropicais.

O reconhecimento internacional reforça a relevância de soluções científicas inovadoras na área de saúde pública, especialmente em um cenário de aumento de casos de arboviroses. Moreira divide a lista com outras personalidades globais e também com a pesquisadora brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa.

Método com bactéria reduz transmissão da dengue

O destaque de Luciano Moreira está diretamente ligado ao desenvolvimento e à expansão do método Wolbachia, que utiliza mosquitos Aedes aegypti infectados com uma bactéria capaz de bloquear a transmissão do vírus da dengue. A estratégia consiste em liberar esses insetos na natureza, permitindo que se reproduzam e reduzam gradualmente a capacidade de disseminação da doença.

Segundo a revista Time, o pesquisador teve papel central ao longo de mais de duas décadas na evolução do projeto, desde a descoberta científica até sua aplicação em larga escala. O método vem sendo implementado em diversas regiões, com resultados considerados promissores no controle da doença.

Produção de mosquitos e impacto na saúde pública

Um dos marcos recentes do trabalho coordenado por Moreira foi a criação de uma biofábrica em Curitiba, dedicada à produção dos mosquitos com a bactéria Wolbachia. A iniciativa ampliou a escala do programa e possibilitou sua aplicação em diferentes cidades brasileiras.

De acordo com a publicação, o impacto do projeto é especialmente relevante em países como o Brasil, que enfrentam desafios constantes com doenças transmitidas por mosquitos. A tecnologia é vista como uma alternativa sustentável e complementar às estratégias tradicionais de combate ao Aedes aegypti.

Reconhecimento internacional e trajetória científica

Antes de entrar na lista da Time, Luciano Moreira já havia sido incluído entre os dez cientistas mais influentes do mundo pela revista científica britânica Nature. Sua trajetória combina pesquisa acadêmica com aplicação prática, característica destacada como diferencial pela comunidade científica.

A presença de dois cientistas brasileiros na lista de 2026 é considerada inédita e evidencia o protagonismo crescente do país em áreas estratégicas da ciência. Além deles, o ator Wagner Moura também aparece na seleção e estampa uma das capas da edição impressa.

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