‘Chegamos ao andar de cima’, diz Haddad sobre megaoperação contra o PCC e o cerco às fintechs

Ministro anunciou que fintechs serão enquadradas como instituições financeiras, ampliando a fiscalização sobre o setor

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a megaoperação contra o PCC (Primeiro Comando da Capital), deflagrada nesta quinta-feira foi um marco no combate ao crime organizado no Brasil. De acordo com o ministro, a operação conseguiu alcançar “o andar de cima” do sistema criminoso, uma expressão usada por Haddad para descrever a ação que atingiu diretamente as camadas mais altas do esquema de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro.

“Essa operação é exemplar, porque ela conseguiu chegar na cobertura do sistema, no andar de cima do sistema”, disse Haddad em entrevista coletiva no Ministério da Justiça, destacando o sucesso da ação. A operação cumpriu mandados em dez estados, focando em uma rede criminosa ligada ao PCC que adulterava combustíveis e envolvia fraudes fiscais, ambientais e econômicas.

Fictechs movimentaram R$ 52 bi do crime organizado

Além de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, a operação revelou que R$ 52 bilhões de organizações criminosas transitaram por fintechs vinculadas ao crime organizado nos últimos quatro anos. Para o ministro, essa descoberta foi crucial para a aplicação da chamada “desmonetização”, um processo de identificação e sequestro de recursos irregulares que contribui significativamente para o enfraquecimento das organizações criminosas no país.

Haddad destacou ainda que o Estado brasileiro conseguiu “sofisticar a sua atuação contra o crime organizado”, que constantemente busca formas de burlar as leis. “A fiscalização da Receita Federal tem que ser colocada à disposição dos órgãos de combate ao crime organizado. A sofisticação do crime organizado hoje exige que a Receita consiga decifrar o caminho do dinheiro, que é muito sofisticado”, afirmou, sublinhando a complexidade das operações que envolvem o tráfico de recursos ilícitos.

Colaboração entre Receita e forças de segurança

Para lidar com essa sofisticação, o governo adotou uma abordagem integrada, contando com a colaboração da Receita Federal e das forças de segurança pública. “O Brasil lidera e fortalece suas instituições, protege o consumidor e também a concorrência leal entre os atores do mercado de combustíveis”, disse Haddad, avaliando a operação como a maior ação de combate ao crime organizado da história do país.

Em um movimento significativo para o futuro, o ministro antecipou que a Receita Federal começará a “enquadrar” fintechs como instituições financeiras a partir da próxima sexta-feira, o que implica que essas empresas terão que cumprir as mesmas obrigações legais exigidas dos grandes bancos. Isso deve ampliar o potencial de fiscalização e aumentar a transparência nas transações financeiras.

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