A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, voltou a fazer duras declarações contra os Estados Unidos em meio à crise política que envolve o país sul-americano desde o início de janeiro. Em discurso neste domingo (25), Rodríguez afirmou que é hora de a Venezuela resolver seus próprios problemas e confrontar pressões externas sem intervenção estrangeira.
Rodríguez dirigiu sua mensagem a trabalhadores petroleiros no estado de Anzoátegui, no leste do país. Ela afirmou que a interferência internacional tem dificultado a resolução das disputas internas e pediu que sejam os venezuelanos, e não potências estrangeiras, a conduzir seus processos políticos.
“Chega de ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossa divergência e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”, disse Rodríguez em seu pronunciamento.
Contexto da pressão internacional
A declaração ocorre em um momento de intensificação dos contornos diplomáticos e militares entre Venezuela e Estados Unidos. Em uma operação militar em 3 de janeiro, forças dos EUA atacaram Caracas e sequestraram o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, levando-os para Nova York, onde enfrentam julgamento por acusações relacionadas a narcotráfico e outros crimes, segundo reportagens internacionais.
Após o sequestro de Maduro, o governo dos EUA declarou que estava “no comando” da Venezuela e que supervisionaria um processo de transição. A nomeação de Rodríguez como presidente interina foi reconhecida pelas Forças Armadas venezuelanas e pela Suprema Corte local, garantindo continuidade administrativa no país.
Reorganização militar e respostas internas
Desde que assumiu o cargo de forma interina, Delcy Rodríguez tem promovido mudanças estratégicas nas forças armadas do país, reforçando a liderança em momentos de fragilidade política. Na última quarta-feira (21), ela nomeou 12 novos oficiais superiores para comandos regionais das Forças Armadas, movimentação que ocorreu pouco mais de duas semanas após a queda de Maduro.
Antes disso, Rodríguez já havia escolhido um ex-chefe do serviço de inteligência como novo comandante de sua guarda presidencial e diretor da agência de contrainteligência. Essas nomeações são vistas como parte de sua estratégia para consolidar uma base de apoio dentro das estruturas de segurança venezuelanas.
Tensão com os Estados Unidos e futuro incerto
A tensão entre Caracas e Washington não se limita a discursos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou que a presença dos EUA no país seria parte de um processo para estabilizar a situação e, em declarações públicas, mencionou que os EUA poderiam exercer influência sobre a Venezuela durante a transição.
Rodríguez, por sua vez, afirmou que “Venezuela nunca imaginou que uma capital sul-americana seria alvo de um ataque militar por uma potência estrangeira”, e enfatizou a importância de um diálogo político interno para superar as questões que o país enfrenta.
Enquanto isso, a sociedade venezuelana vive um clima de incerteza sobre o futuro político e institucional da nação. Analistas observam que a crise gerada pela operação militar dos Estados Unidos em Caracas e a subsequente liderança interina de Rodríguez podem redefinir as relações bilaterais entre os dois países e influenciar os rumos da política interna venezuelana.





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