Chefes do Comando Vermelho que estão em presídios no Rio podem ser transferidos para unidades federais

Na segunda-feira, secretário de Segurança Pública se reuniu com representantes da Polícia Civil, Polícia Militar e de Administração Penitenciária para analisar a possibilidade

Ao menos 12 chefes do Comando Vermelho podem ser transferidos de presídios do Rio para unidades federais. A possibilidade, discutida em reunião nesta segunda-feira, surgiu após uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) fazer busca e apreensão na cela dos traficantes My Thor (foto da reportagem) e Marreta, em Bangu 3, e descobrir envolvimento deles no comércio de cocaína de São Paulo para o Rio. Na reunião, participaram o secretário de Segurança Pública Victor Santos e representantes do setor de Inteligência das secretarias de Polícia Civil, Polícia Militar e de Administração Penitenciária.

Em entrevista ao portal g1, após a reunião de segunda, o secretário de Segurança Pública Victor Santos afirmou que “o objetivo é deixá-los (os traficantes) longe do Marcinho VP, que é a principal liderança do Comando Vermelho”.

Marcinho VP está preso desde 1996, quando tinha 26 anos. Ele foi condenado a 44 anos de prisão por tráfico de drogas e homicídios. Um dos crimes creditados a ele é a morte do comparsa Márcio Amaro de Oliveira, também conhecido como Marcinho VP, em 2003.

Em nota, a secretária de Segurança Pública informou que “além de pedir que esses criminosos fiquem longe do Rio de Janeiro, pedirá à Justiça que eles sejam transferidos para uma penitenciária diferente de onde está o traficante Marcinho VP”, preso atualmente no Presídio Federal de Campo Grande (MS).

Tiroteio em Vila Isabel

O Comando Vermelho também é suspeito de arquitetar um ataque em Vila Isabel, na madrugada de segunda-feira. Cinco pessoas morreram e três ficaram feridas. As vítimas estavam numa festa na Praça Barão de Drummond, conhecida como Praça Sete, região de grande movimento próxima ao Morro dos Macacos, quando quatro homens em duas motos abriram fogo. As vítimas foram socorridas nos hospitais Universitário Pedro Ernesto e Federal do Andaraí.

As tentativas de invasão do Comando Vermelho no local, dominado pelo Terceiro Comando Puro, acontecem desde o ano passado. O Morro dos Macacos é alvo de interesse de ambas facções devido ao lugar estratégico, com rota de fuga pela Floresta da Tijuca, que faz ligação direta com a Zona Oeste da cidade.

Duas pessoas morreram na Praça Sete: Pedro Henrique Pereira dos Santos e Gabriel Pereira Candido, de 24 anos, morador da comunidade e mototaxista. Um jovem identificado como Pedro Henrique Barbosa da Conceição, de 18 anos, foi levado para o Pedro Ernesto, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a polícia, ele, que é conhecido como Marreco, era o alvo do ataque.

Thailon Martins Lucas, de 17 anos, foi levado para o Hospital Federal do Andaraí, onde morreu. Ele era morador da comunidade e estava trabalhando como entregador. Wallace de Oliveira Cláudio, de 35 anos — que estaria em estado gravíssimo e estava acompanhado da esposa, da filha e de uma enteada —, Daniel Carvalho de Souza, de 33, e Juan Victor Pereira, de 22 estão internados na mesma unidade.

Policial Civil é alvo

Na última quinta-feira, um policial civil do Rio e um empresário de São Paulo foram alvos de busca e apreensão pela Draco. Eles são apontados como elo no comércio de cocaína para o Comando Vermelho, junto ao traficante Marco Antonio Pereira Firmino, o My Thor, que também faz parte da investigação. Dez celulares foram apreendidos na cela dela, alguns foram quebrados por Marreta.

Em entrevista à imprensa, na última quinta-feira, o delegado João Valentim, da Draco, anunciou que iria pedir a transferência desses dois criminosos. Ele explicou que havia indícios de que os dois estavam coordenando, de dentro da penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, o comércio de cocaína para abastecer o Comando o Vermelho.

My Thor está preso há mais de 23 anos. Apesar disso, é apontado como chefe do tráfico no Morro da Mina, em Nilópolis, na favela da Galinha, em Inhaúma, Zona Norte do Rio, no Morro Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio e do Buraco Quente, em São João de Meriti. Tudo de dentro da prisão.

Com informações do GLOBO.

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