Chefe de campanha da oposição é presa na Venezuela e transmite ao vivo a invasão de sua casa (assista)

Repressão do governo Maduro já resultou em 24 mortes

Uma colaboradora da líder opositora venezuelana María Corina Machado transmitiu ao vivo sua detenção por militares na última terça-feira. María Oropeza, coordenadora de campanha de María Corina no estado de Portuguesa, registrou o momento em que agentes da Direção de Contrainteligência Militar (DGCIM) invadiram sua casa e a prenderam.

O incidente ocorreu horas após Oropeza criticar a “Operação Tun Tun”, que incentiva denúncias de “ódio” durante os protestos contra a reeleição de Nicolás Maduro.

Durante a transmissão, Oropeza apelou por ajuda, afirmando que não havia ordem de busca e que sua casa estava sendo destruída. Antes de ser interrompida, ela declarou: “Eu não sou uma criminosa, sou apenas uma cidadã que quer um país diferente.”

A crítica de Oropeza à “Operação Tun Tun” apontava para a falta de base jurídica da campanha, que ela descreveu como uma “caça às bruxas” contra cidadãos que participaram das eleições de 28 de julho, denunciadas pela oposição como fraudulentas. A DGCIM pede que denunciantes forneçam dados pessoais e evidências físicas ou digitais de agressões ou ameaças.

María Corina e o escritório de Direitos Humanos do Comando Venezuela condenaram a prisão de Oropeza. Em uma publicação nas redes sociais, Corina pediu apoio internacional para a libertação de sua aliada, destacando seu trabalho organizando cidadãos em Portuguesa.

Repressão após eleições já resultou em 24 mortes

O Conselho Nacional Eleitoral declarou Maduro vencedor com 52% dos votos, contra 43% do opositor Edmundo González Urrutia, que representou María Corina devido a sua inabilitação política. Tanto a oposição quanto organizações de direitos humanos denunciaram fraude eleitoral e repressão violenta contra manifestantes, resultando em 24 mortes e mais de 2.200 detenções.

A repressão se intensificou com a prisão de mais de 100 ativistas da oposição durante o período eleitoral. María Corina revelou estar na clandestinidade por temer por sua vida, enquanto González Urrutia não é visto publicamente há uma semana. Seis colaboradores de Machado estão refugiados na embaixada da Argentina, e o Ministério Público anunciou uma investigação criminal contra líderes da oposição.

A comunidade internacional foi alertada sobre a integridade física de Oropeza, cuja prisão sem ordem judicial foi denunciada como um sequestro pela campanha de María Corina. A oposição mantém cópias de atas eleitorais que supostamente comprovam sua vitória, contestando o resultado oficial que deu a reeleição a Maduro.

Com informações de O Globo e AFP

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