A chef Monique Benoliel contou neste domingo como ocorreu o episódio em que afirma ter sido alvo de uma fala discriminatória ao questionar a ausência de produtos típicos do Pessach em uma delicatessen que frequentava há anos, na Cobal do Leblon, na Zona Sul do Rio.
O caso ganhou repercussão e mobilizou entidades representativas da comunidade judaica. Segundo o relato da chef, o episódio ocorreu durante uma visita de rotina à loja Delly Gil, quando ela perguntou ao proprietário sobre a falta de itens tradicionais da celebração, como o matzá, pão sem fermento consumido no período.
Relato da chef
De acordo com Monique, a resposta do comerciante foi hostil e proferida em voz alta. Ela afirmou que o dono disse que não comprava mais produtos judaicos, que estava cansado dos judeus e que não venderia mais para esse público.
A chef contou que ficou em choque diante da situação e questionou se deveria deixar de frequentar o local. Segundo ela, o comerciante respondeu de forma direta, confirmando sua posição.
Monique relata que abandonou as compras e deixou o estabelecimento abalada. Ainda segundo ela, a filha do proprietário, que trabalha na loja, pediu desculpas pelo ocorrido, e outros clientes que estavam no local presenciaram a cena.
Notificação e apuração
O caso foi encaminhado à Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, que notificou extrajudicialmente a empresa responsável pela delicatessen, a Vale Formoso Importação e Exportação Ltda.
No documento, a entidade informou que os fatos estão em fase preliminar de apuração e destacou que, caso confirmadas, as condutas podem ser interpretadas como prática discriminatória por origem ou religião, com possível enquadramento na legislação que trata de crimes de preconceito.
A federação também estabeleceu prazo de três dias para que a empresa apresente esclarecimentos formais, incluindo relato detalhado, identificação dos envolvidos e eventuais medidas adotadas.
Repercussão e posicionamento
Em nota enviada à imprensa, a entidade afirmou que já adotou medidas legais e acompanha o caso. Informou ainda que presta apoio às vítimas e reforçou que não tolera qualquer forma de discriminação.
O episódio, segundo a federação, possui elevada sensibilidade social por atingir não apenas os envolvidos diretamente, mas também a coletividade que se identifica com a religião mencionada.
Pedido de desculpas da empresa
Após a repercussão, a delicatessen se manifestou publicamente por meio das redes sociais. No comunicado, afirmou que não compactua com qualquer forma de desrespeito ou preconceito e que o episódio foi um mal-entendido. Os donos da loja relataram que estão sendo ameaçados.
A empresa declarou que, se alguma fala ou situação foi interpretada de maneira inadequada, pede desculpas. Também destacou que se trata de um negócio familiar construído com base no respeito e na convivência com diferentes públicos, incluindo a comunidade judaica, com a qual afirma manter relação próxima.
A Delly Gil informou ainda que permanece à disposição para esclarecer os fatos e dialogar sobre o ocorrido.






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