Casos de intolerância contra judeus no Rio durante o Pessach envolvem loja no Leblon e bar na Lapa

Cliente relata ofensa em loja enquanto bar publica mensagem discriminatória; casos geram denúncias e repercussão nas redes.

Em plena celebração do Pessach, dois episódios de intolerância contra judeus foram registrados no Rio de Janeiro e encaminhados à Federação Israelita do Rio de Janeiro. Os casos ocorreram em regiões distintas da cidade e geraram forte repercussão nas redes sociais, além de mobilização de autoridades e entidades.

Um dos episódios aconteceu na Cobal do Leblon, na Zona Sul, dentro da loja Delly Gil. Uma cliente relatou que, ao questionar a ausência de matzá — alimento tradicional consumido durante o Pessach —, ouviu de um funcionário que ele havia deixado de comprar produtos judaicos por estar “cansado dos judeus”. Após a situação, a gerente do estabelecimento pediu desculpas à consumidora.

A delicatessen não respondeu aos contatos, mas divulgou uma nota oficial em suas redes sociais lamentando o ocorrido. A repercussão foi imediata, com manifestações de indignação e início de uma campanha de boicote ao local.

Fierj acompanha denúncia e cobra explicações

A Federação Israelita do Rio de Janeiro informou que notificou extrajudicialmente a loja, concedendo prazo de três dias para que a empresa se manifeste formalmente. A entidade também comunicou que um representante acompanhará a vítima até a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) para o registro oficial da ocorrência.

O presidente da federação, Bruno Feigelson, destacou que os episódios não são isolados e chamou atenção para o contexto em que ocorreram.

Segundo ele, embora críticas a conflitos internacionais sejam legítimas, atitudes discriminatórias não podem ser justificadas sob esse argumento, especialmente em um período simbólico para a comunidade judaica.

Bar na Lapa publica mensagem discriminatória

O segundo caso foi registrado na Lapa, região central do Rio. O bar Partisan, que se define como um espaço antifascista, publicou em suas redes sociais uma imagem de uma placa com a mensagem, em inglês, informando que cidadãos dos Estados Unidos e de Israel “não são bem-vindos” no local.

A denúncia chegou ao vereador Pedro Duarte, que acionou a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor. Ele afirmou que é fundamental impedir a normalização de episódios desse tipo, classificando-os como graves.

O estabelecimento não foi localizado para comentar o caso até a última atualização.

Autoridades pedem punições e investigação

Outro parlamentar que recebeu denúncias foi Flávio Valle, presidente da frente parlamentar de combate ao antissemitismo na Câmara Municipal. Ele informou que encaminhou um ofício ao secretário de Ordem Pública, solicitando a cassação do alvará do bar.

Além disso, uma queixa formal deverá ser registrada na delegacia. Segundo o vereador, impedir o acesso de pessoas com base em origem ou crença é inadmissível e exige resposta rigorosa.

Os dois casos seguem sob análise e devem ser investigados pelas autoridades competentes nos próximos dias.

Sobre o Pessach:

O Pessach (Páscoa Judaica) celebra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito, narrada no livro de Êxodo, comemorando a passagem da escravidão para a liberdade. É uma das festas mais importantes do judaísmo, durando sete ou oito dias, com destaque para o Sêder, um jantar ritualístico que relembra a saída apressada do Egito, celebrando a fé e a identidade judaica. 

Significados e Aspectos Principais:

  • Significado do Nome: Pessach deriva do hebraico “passar por cima” ou “passagem”, referindo-se à décima praga, onde Deus “passou sobre” as casas dos hebreus marcadas com sangue de cordeiro.
  • Sinônimos e Nomes Comuns: Festa da Libertação, Festa da Liberdade, Festa da Primavera (na tradição agrícola) ou Páscoa Judaica.
  • A “Matzá“: Consumo do pão sem fermento, simbolizando a pressa com que os hebreus saíram do Egito, sem tempo para o pão crescer.
  • Sêder de Pessach: Refeição cerimonial onde alimentos simbólicos (ervas amargas, matzá, charoset) são consumidos para reviver a história da escravidão e libertação.
  • Proibição de Fermento (Chametz): Durante a festa, é proibido comer ou ter em casa qualquer alimento fermentado, simbolizando a remoção do orgulho e a busca pela pureza. 

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading