Chef Heaven Delhaye fala sobre os bastidores da operação que vende mil lasanhas por dia no Rio Gastronomia

Em entrevista ao Agenda do Poder, chef detalha como o trabalho em família sustenta o sucesso da Heaven Cucina no maior festival gastronômico do Rio

Famosa por seus pratos — principalmente por sua lasanha com bordinha crocante que nem biscoito — e por sua participação no MasterChef Profissionais, em 2018, Heaven Delhaye conquistou o paladar do Rio com seus restaurantes D’Heaven, de comida francesa; Nonna Per Heaven, com pratos que fazem releitura da culinária italiana; e o Heaven Cucina, também voltado para as tradições da terra de Fellini, mas com preços mais acessíveis. É justamente esse último, conhecido pela lasanha, que ela fez questão de levar à 15ª edição do Rio Gastronomia, conectando-se diretamente com o público.

Veterana no evento, ela fala sobre como comanda uma das operações mais impressionantes do festival, vendendo uma média de mil lasanhas diárias. A profissional comenta ainda os segredos da sua famosa lasanha, a força do trabalho em família e a estratégia para se manter no topo. Filha de pai português e mãe francesa, a chef conta que o segredo de seu dom está no sangue. “Se vai entrar na família Heaven, você tem que cozinhar”, afirma. 

Agenda do Poder: Sua operação no Rio Gastronomia impressiona pelos números. Qual a dimensão do desafio?

Heaven Delhaye: A gente está vendendo uma média de mil lasanhas por dia. Então, a organização começa com bastante antecedência. Um irmão chega no festival às 10h da manhã, eu e outro chegamos à tarde para deixar tudo pronto. Cada fornada da lasanha, por exemplo, leva 48 horas para ser preparada. É uma venda muito forte em pouco tempo.

O carro-chefe é a lasanha. O que a torna tão especial?

Ela foi a campeã de vendas da edição passada, com quase nove mil lasanhas vendidas. É o nosso prato mais famoso e é sempre chefiado pela minha mãe. A gente faz com um ragu de costela, que assamos lentamente por 16 horas. A massa é fresca e, quando vai ao nosso forno especial, ela fica com uma bordinha crocante, que parece um biscoitinho. E por dentro tem a textura da lasanha. Aí, obviamente, a gente finaliza com muito queijo.

Lasanha de massa fresca com recheio de costela Black Angus — Reprodução / Heaven Cucina

Você fala muito da sua mãe. A família é a base de tudo no seu negócio?

Super de família. Comecei na cozinha com a minha mãe aos 11 anos, no nosso primeiro restaurante, que era literalmente na sala da nossa casa, com quatro mesas. E desde lá, continuamos trabalhando em família. Nas cozinhas dos restaurantes, estou eu e meus três irmãos, meu pai continua recebendo os clientes e a mãe faz as produções dos eventos — inclusive da nossa lasanha. Até minha cunhada entrou na dança para fazer os doces, porque eu não gosto muito de fazer. A regra é: se vai entrar na família Heaven, você tem que cozinhar.

Vocês foram campeões de venda no ano passado. Qual a fórmula para o sucesso em um evento tão grande?

O foco é ter sempre uma excelente produção, porque é muita venda em pouco tempo. Na primeira vez que viemos, há dois anos, estávamos super despreparados, eu estava comandando quatro restaurantes na época e precisei colocar gente produzindo de madrugada para conseguir suprir as vendas. Fiquei super feliz, porque naquele ano ficamos em segundo lugar no faturamento. 

No ano passado nós chegamos mais preparados e conquistamos o primeiro lugar. Aprendemos a lição. É importante não vir com muitas coisas e sempre pensar em pratos que sejam bons de giro, com uma pré-produção bem feita e uma finalização rápida. E, obviamente, que agrade ao grande público. 

E qual a expectativa para esta edição? 

Eu amaria manter a liderança! (risos). Faremos o nosso melhor. A gente fica na correria, mas sempre tentamos provar as comidas de outros chefs, que são maravilhosos. Gostei muito, por exemplo, do pão de alho com camarão do Ocyá, do tartar com molho apimentado do Bruno Katz e de uma sobremesa muito boa com tamarindo, além do nhoque do Babu, maravilhoso! 

No ano passado, viemos muito preparados e ficamos em primeiro lugar, foi uma felicidade. Mas este ano tem muita gente boa, com muita comida maravilhosa, muito chef talentoso. Então, estamos aí na disputa.

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