Chacina ou sucesso? Rodrigo Amorim e Professor Josemar debatem megaoperação no ‘Jogo do Poder’

O debate expôs o choque ideológico sobre a megaoperação com 121 mortos, cotas raciais, a chamada “emenda Faroeste” e até o destino político de Jair Bolsonaro.

O programa ‘Jogo do Poder’, apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno, que vai ao ar neste domingo (9), às 23h15, pela Rede CNT, vai mostrar a visão de duas correntes políticas distintas sobre a megaoperação Contenção, que aconteceu no último dia 28 de outubro e que foi a mais letal da história do Rio de Janeiro. De um lado, o deputado Rodrigo Amorim (União), líder do governo Cláudio Castro (PL) na Alerj, e à direita física e ideológica da bancada. Do outro, o professor Josemar, do PSOL, voz da oposição de esquerda. Os dois travaram um debate acalorado e também falaram sobre outros temas, como a polêmica Emenda Faroeste, cotas raciais, venda do Maracanã, além de Lula e Bolsonaro.

“Foi a operação mais exitosa da história das polícias no Rio de Janeiro”, afirmou Amorim, que se apressou em “corrigir” o número de vítimas.

“Foram apenas quatro vítimas — os policiais mortos em combate. Os demais eram criminosos portando fuzis e foram abatidos com o poder coercitivo do Estado. Vagabundo armado será neutralizado.”, afirmou o parlamentar.

A fala incendiou o estúdio. O professor Josemar reagiu com indignação.

“No Brasil não existe pena de morte, deputado. E se existisse, haveria julgamento. O seu discurso é o da barbárie. Foram 121 mortos, incluindo trabalhadores e jovens, e isso o senhor chama de sucesso? Essa é a política da morte que o seu governo defende”, rebateu.

Entre uma interrupção e outra, Ricardo Bruno tentava conter a tensão, mas o tom de confronto crescia.

“Vocês da esquerda defendem marginal”, retrucou Amorim.

“Não defendo marginal, defendo a vida”, devolveu Josemar, chamando o adversário de “representante da extrema direita que glorifica corpos no chão”.

O deputado do PSOL, que deu entrada recentemente em um pedido de impeachment de Cláudio Castro, fez duras crítias ao governador, a quem chamou de “chacineiro”.

“Nós temos um governador, e os dados mostram isso, que é o maior governador chacineiro da história”, afirmou.

Amorim respondeu, dizendo que o pedido trata-se de mais um “mazelitismo” do PSOL .

“É mais um mazelitismo do PSOL, um partido inoperante, que não produz nada”, rebateu Amorim.

Emenda Faroeste

O debate avançou para a proposta de Amorim de restituir a chamada Eemenda Faroeste, que bonifica policiais por apreensões de armas e por “neutralizar” criminosos.

“Quanto mais criminosos forem extirpados do convívio da sociedade, melhor. O policial precisa ter segurança jurídica e saber que está protegido quando cumpre seu dever”, disse o parlamentar governista.

Josemar retrucou na mesma intensidade:

“Mais um absurdo. Não há dinheiro para servidores, para educação, e querem pagar bônus por morte. Essa é a política do extermínio. Querem transformar o Rio em um faroeste institucionalizado”.

Cotas raciais e meritrocacia

A pauta seguinte foi outro ponto de colisão: a ampliação de 20% para 30% das cotas raciais em concursos públicos estaduais.

“Eles não respeitam a meritocracia”, disparou Amorim.

“Querem dividir o Brasil entre negros e brancos, atropelando quem realmente estuda.”

Josemar respondeu com ironia:

“Vamos abrir mão das cotas quando os brancos ricos abrirem mão da herança. Não há mérito em riqueza forjada na escravidão. A cota é reparação histórica, não privilégio.”

Amorim então aproveitou para atacar o PSOL.

“Enquanto eles fazem discursos sobre reparação, quem aprovou algo efetivo foi a base do governo, com o projeto que permite o uso de spray de pimenta por mulheres para autodefesa. Nós agimos. O PSOL fala e não resolve nada.”

Venda do Maracanã e “maconheiros da Uerj”

O confronto subiu de tom novamente quando entrou em pauta a inclusão do Maracanã e da área da Aldeia Maracanã na lista de imóveis que o governo pretende vender.

“Não existe aldeia indígena nenhuma ali. O que há é meia dúzia de militantes e maconheiros da Uerj que degradam o espaço público”, atacou Amorim.

Josemar respondeu de imediato:

“O Maracanã é um patrimônio histórico do Rio e do Brasil. E o que o senhor chama de militantes são povos indígenas que resistem. O desprezo do senhor pelos indígenas e pelos negros é evidente”.

Bolsonaro e Lula

No final do programa, a disputa tomou contornos nacionais. Ricardo Bruno perguntou sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão.

“Bolsonaro é vítima de perseguição. Não cometeu crime algum. A esquerda está perdida e teme o retorno da direita ao poder”, afirmou Amorim, levantando a voz.

Josemar rebateu na mesma moeda:

“Bolsonaro precisa pagar pelo que fez. É responsável por ataques à democracia e pelo incentivo à violência. O senhor defende o mesmo projeto autoritário que mergulhou o país no ódio.”

Neste momento, os dois parlamentares subiram o tom do debate com troca de ataques.

“Partido da droga, do aborto e da boquinha”, provocou Amorim.

“Você é negacionista e bolsonarista, um retrato do atraso”, devolveu Josemar. Ricardo Bruno precisou intervir várias vezes para encerrar as interrupções e retomar o controle.

Entre acusações de fake news, citações a Cláudio Castro e críticas à esquerda “perdida”, o líder do governo defendeu que “Deus, família e liberdade” são os pilares que guiarão a retomada do Brasil. Josemar replicou que “essa é a retórica que mata pobres e protege ricos”.

Assista o programa na íntegra

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