A confirmação da presença da variante andina do hantavírus em passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius elevou o nível de alerta sanitário internacional e levou autoridades de diferentes países a adotarem medidas de contenção e monitoramento. O Ministério da Saúde da África do Sul confirmou nesta quarta-feira (6) que a cepa identificada em um dos pacientes é a única conhecida no mundo capaz de ser transmitida entre seres humanos.
A informação foi apresentada pelo ministro da Saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, durante reunião de uma comissão parlamentar.
“Os testes iniciais mostram que se trata, de fato, da cepa andina. Esta é a única, entre as 38 conhecidas, capaz de ser transmitida de uma pessoa para outra”, afirmou o ministro.
O navio MV Hondius se tornou foco de preocupação internacional após o surgimento de diversos casos suspeitos e confirmados da doença durante uma viagem que saiu do extremo sul da Argentina em direção à costa africana.
Atualmente, a embarcação permanece com 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades diferentes a bordo.
Casos se espalham entre países
Dois passageiros que estavam no cruzeiro foram transferidos para Joanesburgo, na África do Sul. Um deles morreu, enquanto o outro segue internado.
Na Europa, a Suíça confirmou outro caso relacionado ao navio. O Ministério da Saúde suíço informou que um passageiro foi hospitalizado em Zurique após testar positivo para o hantavírus.
Segundo as autoridades suíças, exames realizados em laboratório de referência dos Hospitais Universitários de Genebra confirmaram que o paciente está infectado pela variante andina do vírus, encontrada na América do Sul.
O homem está sendo tratado no Hospital Universitário de Zurique e permanece isolado.
De acordo com o governo suíço, ele procurou atendimento médico após apresentar sintomas compatíveis com a doença. Antes disso, havia feito contato telefônico com seu médico particular.
A esposa do paciente, apesar de não apresentar sintomas até o momento, também foi colocada em isolamento preventivo.
O Ministério da Saúde da Suíça informou que o casal retornava de uma viagem pela América do Sul no fim de abril e esteve a bordo do navio onde os casos foram registrados.
As autoridades agora investigam se o passageiro teve contato próximo com outras pessoas enquanto já apresentava sintomas.
Variante preocupa autoridades sanitárias
As autoridades de saúde ressaltam que a variante andina do hantavírus possui características diferentes das cepas normalmente registradas na Europa.
Enquanto os hantavírus europeus costumam ser transmitidos por contato com fezes, urina ou saliva de roedores contaminados, a variante andina pode ser transmitida diretamente entre pessoas.
Apesar disso, especialistas afirmam que esse tipo de transmissão é considerado raro e geralmente exige contato próximo e prolongado.
O governo suíço afirmou que considera baixo o risco para a população e avalia como improvável o surgimento de novos casos no país.
Ainda assim, autoridades sanitárias europeias seguem monitorando a situação devido à circulação internacional dos passageiros do cruzeiro.
Três mortes já foram confirmadas
Segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde, três pessoas que estavam no navio morreram após a viagem: um casal holandês e uma mulher alemã.
A embarcação havia partido de Ushuaia, no sul da Argentina, em 1º de abril, com destino ao arquipélago de Cabo Verde, na costa oeste da África.
Desde domingo, o navio está ancorado próximo ao porto da capital cabo-verdiana.
O governo de Cabo Verde informou que realiza uma operação para evacuar três pessoas infectadas para Praia, capital do país.
O avanço dos casos levou também autoridades espanholas a reagirem.
Após a OMS anunciar que o navio poderia seguir para um porto espanhol, o governo regional das Ilhas Canárias informou que se opõe à atracação do MV Hondius no arquipélago.
A posição foi tomada depois que o Ministério da Saúde da Espanha confirmou que a embarcação pretendia ancorar em Tenerife.
O que é o hantavírus
O hantavírus é uma doença viral rara que pode provocar sintomas graves, incluindo febre, dores musculares, dificuldades respiratórias e comprometimento pulmonar.
A infecção é tradicionalmente associada ao contato com roedores contaminados, especialmente em regiões rurais e silvestres.
A variante andina, identificada principalmente em países da América do Sul, chama atenção da comunidade científica por ser a única cepa conhecida com capacidade de transmissão entre humanos.
As autoridades internacionais seguem monitorando os passageiros e tripulantes do navio, enquanto novos exames e medidas de isolamento continuam sendo adotados para evitar a disseminação da doença.





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