Segurança Presente: Castro critica decisão de Ricardo Couto e fala em risco ao programa

Ex-governador afirma que transferência do Segurança Presente para a Polícia Militar ameaça modelo de policiamento de proximidade criado no Rio de Janeiro

O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, criticou publicamente a decisão do governo em exercício de transferir o programa Segurança Presente da Secretaria de Governo para a estrutura da Polícia Militar. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (6), Castro afirmou que a mudança representa um risco para a essência do projeto, criado com foco no policiamento de proximidade.

Sem citar diretamente o governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, Castro afirmou que o “atual governo, que não foi eleito pelo voto do povo”, estaria promovendo mudanças que podem comprometer o funcionamento do programa.

“O risco que a gente ocorre hoje é essa decisão ter sido o início do fim do Segurança Presente”, declarou o ex-governador no vídeo.

Segundo Castro, o modelo original do Segurança Presente foi concebido em 2014, com apoio da Fecomércio RJ, para atuar de forma integrada com comércio, turismo, escolas e comunidades, em uma lógica diferente da atuação tradicional dos batalhões da PM.

Na gravação, ele argumenta que o programa não foi criado para substituir o policiamento ostensivo da Polícia Militar, mas para complementar a atuação das forças de segurança por meio de uma estratégia voltada ao contato direto com a população.

Castro também relembrou uma experiência realizada durante sua gestão, chamada Bairro Seguro, que buscava aplicar metodologia semelhante dentro da estrutura policial. Segundo ele, o projeto não prosperou justamente por perder a característica de polícia de proximidade.

“Ele foi criado para agregar. E mudar o programa que mais dá certo no Brasil, sem ouvir a sociedade, sem ouvir quem faz parte do programa, sem ouvir quem é beneficiado do programa, com certeza é um erro”, afirmou.

O ex-governador ainda destacou a expansão do Segurança Presente durante sua passagem pelo Palácio Guanabara. De acordo com ele, o estado possuía oito bases do programa em 2019 e chegou a 70 unidades ao longo de sua gestão.

Na publicação, Castro também afirmou que o programa “não pertence a governadores”, mas ao povo fluminense. Ele citou investimentos feitos na iniciativa, incluindo tecnologia, bicicletas elétricas e motocicletas, e defendeu que o Segurança Presente permaneça vinculado diretamente ao governo estadual, e não subordinado à lógica operacional da PM.

A mudança administrativa ocorre em meio à série de reformulações promovidas pelo governo interino de Ricardo Couto, que vem realizando alterações em secretarias, autarquias e programas estratégicos desde que assumiu o comando do estado.

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