Centrão racha, uma parte já duvida da reeleição de Bolsonaro, e grupo começa a debater o abandono do governo

Aliado de Jair Bolsonaro no Congresso, o Centrão se divide para a disputa de 2022 e uma importante ala do bloco avalia que a chance de o presidente conquistar o segundo mandato está cada vez mais distante. Segundo reportagem do Estadão, em conversas reservadas, o núcleo do Progressistas, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira…

Aliado de Jair Bolsonaro no Congresso, o Centrão se divide para a disputa de 2022 e uma importante ala do bloco avalia que a chance de o presidente conquistar o segundo mandato está cada vez mais distante.

Segundo reportagem do Estadão, em conversas reservadas, o núcleo do Progressistas, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), e do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, aposta que a eleição para o Planalto pode até ser decidida no primeiro turno, se o presidente não mudar radicalmente o comportamento e a população não sentir no bolso uma melhoria econômica.

Esta semana, o Presidente do PL no Rio, o deputado Altineu Cortes fez críticas ao ministro da Economia,  Paulo Guedes, em declarações à imprensa. Argumentou que ele atrapalha o governo por não ter “sensibilidade social” e deve sair do cargo.

A declaração de Altineu foi registrada pelo Estadão, em reportagem sobre o desencanto das forças do Centrão com o governo de Jair Bolsonaro. Altineu disse que ainda apoia a reeleição do presidente, mas não economizou  críticas.

O diagnóstico marca uma mudança significativa na avaliação de políticos próximos do Planalto. Até então, o palpite era de que Bolsonaro voltaria a ser competitivo no ano que vem com crescimento econômico e um novo Bolsa Família, batizado de Auxílio Brasil. Apoiadores do presidente também argumentavam que, com todo mundo vacinado, ninguém mais se lembraria do desastre na gestão da pandemia de covid-19.

Com inflação, juros e desemprego em alta, a população sente os efeitos da deterioração econômica. A situação ainda é agravada por uma nova onda da pandemia, crise hídrica e arroubos autoritários de Bolsonaro. Neste cenário, até em legendas com assento na Esplanada de Ministérios há deputados que admitem haver obstáculos para Bolsonaro em 2022.

No Progressistas já há quem considere que não vale a pena ficar com Bolsonaro. É o caso do deputado Eduardo da Fonte (PE), ex-líder do partido, ligado ao ministro Ciro Nogueira e apoiador da candidatura do ex-presidente Lula.

Na Bahia, Estado comandado por Rui Costa (PT), o vice-governador João Leão (Progressistas) é outro nome que rechaça uma aliança com Bolsonaro. O presidente da sigla, deputado André Fufuca (MA), disse que o atual cenário é “mutável”. “A tendência é que sua popularidade volte a subir e ele chegue com condições reais de disputar a reeleição.” Nos bastidores, no entanto, Fufuca conversa com Lula.

Vice-líder do PL, o deputado Zé Vitor (MG) disse que “não é um bom momento” para o presidente. Mesmo assim, evitou dizer como avalia as chances de reeleição. O deputado disse ser contra o apoio a Lula, mas não descartou avalizar um candidato alternativo ao petista e a Bolsonaro. O PL ocupa a Secretaria de Governo, com Flávia Arruda (DF). Uma ala do partido, porém, flerta com Lula.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (AM), por exemplo, se reuniu com Lula em abril. Embora ainda não tenha decidido em qual campanha embarcará no ano que vem, Ramos já descartou apoio a Bolsonaro. “O problema é a inflação alta, a gasolina a R$ 7, a energia subindo, a comida subindo, o gás de cozinha a mais R$ 100, os juros em dois dígitos no longo prazo, a inflação descontrolada, desemprego e fome. A situação dele é muito difícil, não dá tempo de reverter isso.”

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, diz em público o que grande parte dos dirigentes de partidos reserva para o bastidor. “Tem uma chance grande de o presidente Bolsonaro não estar no segundo turno.” O PSD tem em seus quadros o ministro das Comunicações, Fábio Faria, que está de saída do partido por causa das divergências da sigla com o governo. Enquanto isso, Kassab articula para filiar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e lançá-lo à cadeira de Bolsonaro.

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