Celso Luiz Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, foi liberado nesta segunda-feira (15) do Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro. Um dos fundadores da facção Amigos dos Amigos (ADA), Celsinho estava preso desde maio deste ano, mas teve a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) informou que o alvará de soltura foi entregue por um oficial de justiça e expedido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio. Ele agora cumprirá a pena em casa, com o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.
Aliança com antigos rivais para retomada de territórios
A Polícia afirma que, antes de ser preso, Celsinho havia se aliado ao Comando Vermelho (CV), facção rival da ADA, com o objetivo de retomar comunidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro que haviam sido dominadas por milicianos. Essa reaproximação com o CV marcou uma mudança significativa na dinâmica do crime organizado na região.
Além disso, Celsinho teria negociado diretamente com grupos paramilitares para tomar o controle de territórios estratégicos. Um exemplo disso foi a suposta compra do domínio da Vila Sapê, em Curicica, que pertencia à milícia liderada por André Costa Bastos, conhecido como Boto.
O início da investigação
A apuração começou em fevereiro, quando oito traficantes foram presos em flagrante na Vila Sapê, fortemente armados. Eles confessaram ter sido enviados por Celsinho para ocupar a comunidade, anteriormente sob controle da milícia. O caso chamou atenção da Polícia Civil porque a ocupação aconteceu sem resistência.
As investigações apontaram que Celsinho fez um acordo com Boto – mesmo preso em um presídio federal – para assumir a região. Rapidamente, homens armados da ADA ocuparam a área e iniciaram a venda de drogas. A ação, silenciosa e eficaz, revelou uma aliança inédita entre milicianos e traficantes.
Pacto entre facções rivais e milicianos
As autoridades também descobriram que Celsinho articulou outro pacto, dessa vez com Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, chefe do Comando Vermelho. O objetivo era formar uma aliança estratégica entre ADA, CV e milícia para dominar partes da Zona Oeste sem enfrentar confrontos armados.
Segundo o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, o grupo planejava ações conjuntas e chegou a eliminar dissidentes, como o miliciano Fábio Taca Bala, assassinado por traficantes do CV a mando da cúpula da aliança, por resistir à entrada da ADA na região.
O inquérito concluiu que os três – Celsinho, Doca e Boto – lideravam uma associação criminosa estruturada para explorar o tráfico de drogas, utilizando armas pesadas, intimidação de moradores, assassinatos e controle territorial previamente acordado.
Histórico criminal de Celsinho
Com uma longa ficha criminal, Celsinho foi preso pela primeira vez em 1990. Em 1996, voltou à cadeia, mas fugiu dois anos depois, disfarçado de policial militar, durante uma internação no Hospital Penitenciário. Ele foi recapturado em 2002.
Em entrevista ao jornal O Globo, Celsinho afirmou viver do tráfico de drogas e admitiu o envolvimento em atividades criminosas. Disse faturar R$ 50 mil por semana, mas que, após os custos operacionais, lhe restavam cerca de R$ 10 mil. À época, ele dizia controlar a Vila Vintém e o Curral das Éguas.
Grande parte das últimas duas décadas foi cumprida em presídios federais, como o de Porto Velho, em Rondônia. Ele retornou ao Rio de Janeiro em 2017 e foi transferido para o Complexo de Gericinó, onde ficou preso até outubro de 2022, quando foi libertado após suspeitas de irregularidades em uma acusação envolvendo a invasão da Rocinha.
Na ocasião, a desembargadora Suimei Meira Cavalieri concedeu o alvará de soltura, considerando que o Ministério Público havia identificado possíveis indícios de armação contra ele. Agora, com novo mandado de prisão convertido, Celsinho volta a cumprir pena, desta vez, em casa.






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