O início do ano legislativo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) foi marcado por críticas da deputada estadual Célia Jordão (PL) a decisões recentes da Eletronuclear que, segundo a parlamentar, têm impacto direto sobre a população de Angra dos Reis, na Costa Verde.
A deputada denunciou o corte no auxílio-transporte de estudantes, questionou a suspensão de repasses para projetos socioambientais e cobrou esclarecimentos sobre informações que apontam risco à continuidade dos atendimentos no Hospital da Praia Brava.
Auxílio-transporte de estudantes
Um dos pontos levantados por Célia foi o corte no auxílio-transporte destinado a estudantes da rede pública, serviço que vinha sendo prestado há décadas por meio de ônibus disponibilizados pela Eletronuclear. A deputada afirmou que a medida tem gerado preocupação entre famílias que dependiam do benefício para garantir o deslocamento escolar.
“As mães estão preocupadas porque esse auxílio, que era o transporte por ônibus prestado pela Eletronuclear, não interferia em nada no horário em que a empresa disponibilizava esses veículos para os trabalhadores. Agora, os estudantes terão mais dificuldade, principalmente nas localidades do Parque Mambucaba e da Vila Residencial”, afirmou.
Segundo ela, o benefício existe há cerca de 40 anos e sua suspensão representa um impacto significativo para estudantes que dependem exclusivamente do transporte coletivo para frequentar a escola.
Hospital da Praia Brava
Outro tema abordado foi a circulação de informações sobre uma possível interrupção nos atendimentos do Hospital da Praia Brava, unidade que atende moradores do Parque Mambucaba, região com mais de 50 mil habitantes. Para a deputada, qualquer risco à continuidade dos serviços de saúde preocupa a população local.
“Estamos atentos a essa situação e cobrando esclarecimentos, porque não se pode admitir qualquer prejuízo à assistência em saúde da população”, declarou.
Repasses e contrapartidas socioambientais
A deputada também cobrou a retomada de investimentos em projetos municipais e a manutenção dos repasses de contrapartida socioambiental vinculados à presença da usina nuclear na região. Segundo ela, a atividade da empresa gera impactos diretos na qualidade de vida da população e exige compensações permanentes.
“Medidas são necessárias para reparar essa situação, com a apuração de informações e reuniões para buscar esclarecimentos”, disse a parlamentar, ao afirmar que considera inaceitável a suspensão de recursos voltados a ações sociais.
Posicionamento da Eletronuclear
Em nota, a Eletronuclear informou que a atual situação financeira da empresa não permite a continuidade do apoio ao transporte de estudantes nos moldes praticados anteriormente. Ainda assim, segundo a empresa, o serviço será mantido de forma transitória até o fim do primeiro semestre, para que haja tempo de adoção de alternativas, inclusive por parte das prefeituras e do Governo do Estado.
Sobre a suposta suspensão de repasses a projetos sociais, a empresa declarou que não reconhece essa afirmação e afirmou estar adimplente com todas as suas obrigações. Segundo a Eletronuclear, não há conhecimento de interrupção de repasses nos termos mencionados e eventuais questionamentos precisam ser formalizados para apuração.
Em relação ao Hospital da Praia Brava, a empresa esclareceu que a unidade é administrada pela Fundação Eletronuclear de Praia Brava, que possui gestão própria. De acordo com a nota, questões relacionadas à operação ou às decisões do hospital devem ser direcionadas diretamente à fundação responsável.






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