Cavalos de raça, carros de luxo e milhões bloqueados em operação contra esquema de lavagem em Campos: veja a lista de apreensões

Ação da Polícia Civil mira fraudes em licitações de medicamentos e materiais hospitalares e apreende bens milionários de grupo criminoso

Uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro realizada nesta terça-feira (14) em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, resultou na apreensão de dezenas de cavalos de raça, veículos de luxo e no bloqueio de R$ 218 milhões. A ofensiva, batizada de Operação Caballus, teve como alvo um grupo suspeito de fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro, com atuação em diversas cidades fluminenses.

Coordenada pela Delegacia de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DCC-LD), a investigação levou ao cumprimento de dez mandados de busca e apreensão contra seis alvos. Entre eles está o empresário Wagner Crespo Luiz, apontado pela polícia como o chefe do esquema criminoso, informa O Globo.

Entre os bens apreendidos estão:

45 cavalos de raça, avaliados em cerca de R$ 6 milhões

12 veículos, incluindo um Porsche (R$ 1,7 milhão), uma Dodge RAM (R$ 370 mil) e uma BMW X1 (R$ 350 mil)

Bloqueio judicial de aproximadamente R$ 218 milhões

7 computadores e 5 celulares, que serão periciados

As investigações apontam que o grupo operava por meio de pelo menos três empresas de fachada, que venciam licitações promovidas pelos municípios de Quissamã, São Fidélis, Niterói e, principalmente, Campos dos Goytacazes. Os contratos, voltados ao fornecimento de medicamentos e insumos hospitalares, seriam usados para desviar recursos públicos que, em tese, acabavam beneficiando diretamente Wagner Crespo.

A delegada Ana Carolina Lemos, responsável pela investigação, destacou que as apurações revelaram a inexistência de estrutura nas empresas envolvidas:

— Encontramos lojas vazias, sem os equipamentos ou materiais necessários para que prestem esses tipos de serviços. Está muito claro que houve fraude nas licitações, mas isso vai ser melhor elucidado em uma segunda etapa — afirmou a delegada.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras suspeitas, com saques fracionados e utilização de laranjas para movimentar os valores desviados. Parte do dinheiro teria sido usada, inclusive, para pagar despesas operacionais de um haras ligado a Crespo.

Procurado pelo jornal Extra, o advogado Jorge Gomes Bastos Júnior, que representa o empresário, classificou as acusações como “absurdas” e afirmou que a defesa provará a inocência do cliente ao longo do processo. Ele ressaltou, no entanto, que ainda não teve acesso ao inquérito, que segue sob segredo de justiça.

Segundo a Polícia Civil, a ação representa apenas a primeira fase das investigações. Os agentes agora trabalham para identificar outros envolvidos e dimensionar o prejuízo causado ao erário. O objetivo é também ampliar a recuperação dos ativos desviados.

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