Cavaliere vai propor a Couto que Teatro Villa-Lobos seja transferido para o município

Prefeitura do Rio articula parceria com Ministério da Cultura para assumir espaço em Copacabana e recuperar um dos teatros mais tradicionais da cidade

O prefeito Eduardo Cavaliere anunciou na noite desta terça-feira a intenção de assumir a recuperação do tradicional Teatro Villa-Lobos, em Copacabana, fechado desde 2011 após ser destruído por um incêndio de grandes proporções.

Segundo reportagem do jornal O Globo, a proposta prevê que a Prefeitura do Rio apresente ao governador interino Ricardo Couto uma carta-proposta construída em parceria com o Ministério da Cultura para solicitar a transferência do imóvel ao município.

O objetivo da administração municipal é reformar e reabrir o espaço cultural com apoio dos governos estadual e federal, recolocando o teatro no circuito artístico da cidade após mais de uma década de abandono.

Fundado em 1979, o Teatro Villa-Lobos se consolidou como um dos principais espaços culturais da Zona Sul carioca e recebeu, ao longo de sua história, apresentações de grandes nomes do teatro brasileiro, como Paulo Autran e Marília Pêra.

Espaço foi destruído por incêndio em 2011

Batizado em homenagem ao maestro Heitor Villa-Lobos, o complexo cultural reunia diferentes ambientes dedicados às artes cênicas e atividades culturais.

Além do teatro principal, que possuía 463 lugares, o espaço contava ainda com as salas Monteiro Lobato e Arnaldo Niskier, utilizadas para apresentações menores, eventos e atividades culturais.

A estrutura foi completamente destruída em setembro de 2011, quando um incêndio atingiu os quatro andares do prédio.

O episódio marcou um dos momentos mais simbólicos da crise de manutenção de equipamentos culturais no Rio de Janeiro.

Meses antes do incêndio principal, em abril daquele mesmo ano, o teatro já havia registrado um princípio de incêndio que atingiu sua casa de máquinas, aumentando os alertas sobre problemas estruturais no imóvel.

Desde então, o espaço permaneceu fechado e sem recuperação efetiva.

Prefeitura tenta destravar recuperação

A proposta apresentada por Eduardo Cavaliere busca destravar um processo de recuperação que se arrasta há mais de dez anos.

A ideia é que o município assuma a condução da reforma em articulação com o governo estadual e o governo federal, ampliando as possibilidades de captação de recursos e retomada das obras.

Nos bastidores, integrantes da área cultural avaliam que a reabertura do Villa-Lobos pode representar um marco para a revitalização de equipamentos culturais históricos da cidade.

O teatro ocupa uma área considerada estratégica em Copacabana e, antes do incêndio, integrava a programação cultural regular do Rio.

A possível transferência do imóvel para o município dependerá agora de negociações entre a prefeitura e o governo estadual.

Lei Rouanet já havia sido usada em tentativa de recuperação

Em 2024, a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, anunciou uma parceria com a associação de servidores da própria fundação para tentar viabilizar financeiramente a recuperação do imóvel.

A estratégia previa a inscrição do projeto na Lei Rouanet para captação de recursos junto à iniciativa privada.

O modelo seguiria o mesmo formato utilizado na recuperação da Sala Cecília Meireles, que passou por reformas em 2010 e 2014 com financiamento obtido majoritariamente por meio de incentivos culturais.

Na ocasião, mais de 80% do orçamento necessário para as obras da Sala Cecília Meireles foi arrecadado via captação incentivada.

Apesar do anúncio, a recuperação do Teatro Villa-Lobos não avançou de forma concreta desde então.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading