O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, se reuniram na noite desta segunda-feira (02) após o lançamento do plano federal de combate às organizações criminosas, batizado de Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas (Enfoc). Em conversa com jornalistas, Cláudio Castro afirmou que o trabalho será conjunto com o governo federal e que a atuação das forças de segurança, focada inicialmente no Complexo da Maré, vai se expandir para outras comunidades.
— A ideia é que a Maré seja o início e que isso se irradie para outras comunidades e que possamos prender lideranças e fazer asfixia financeira dessas organizações criminosas, seja milícia, facção A ou facção B. A questão do tempo não foi definida e nem tem prazo, será um diálogo permanente entre as forças estaduais e federais. O que nós imaginamos é, a partir da Maré, que o processo de investigação se irradie para outras áreas. A matéria é um ponto de partida, mas não é o fim.
O governador afirmou ainda que a Polícia Federal vai prender ‘lideranças criminosas’ do estado:
— Nós conversamos muito para que não cometamos erros do passado. O que quer que façamos lá tem que ser baseado na inteligência e na investigação. Combinamos com a PF a prisão de lideranças criminosas no estado. Foi uma reunião importante para que pudéssemos falar a mesma língua. Qualquer questão policial será feita subsidiariamente pelas forças federais. Será um trabalho conjunto. A coordenação de áreas mais sensíveis fica com o Rio — afirmou Castro, negando que a possibilidade de atuação de militares tenha sido debatida. — Nada de Forças Armadas foi tratado por nós hoje. Nada sobre Forças Armadas foi conversado.
Sob pressão por medidas para combater a criminalidade, Flávio Dino também autorizou hoje a atuação da Força Nacional no estado fluminense. O objetivo é viabilizar o enfrentamento de atividades que impactam na segurança pública e nos indicadores de mortes violentas no Rio. Ao todo, serão enviados 300 homens e 50 viaturas. A decisão foi tomada depois que uma investigação da Polícia Civil revelou a existência de um centro de treinamento de criminosos no Complexo da Maré, na zona norte do estado.
Segundo Castro, a investigação do Ministério Público dá conta de mais de 900 lideranças do tráfico na região. O governador do Rio também admitiu preocupação sobre indícios de coligação entre a milícia e a organização criminosa:
— Duvido que seja uma coisa que pare só na Maré.
No âmbito da atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no estado, o ministro da Justiça garantiu a atuação de 270 policiais e 22 blindados, além de um veículo de resgate e um helicóptero. Já quanto à Polícia Federal, Dino apontou sua atuação na Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e no Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI), além de ações de inteligência e investigações em curso.
Este é o segundo encontro do Ministério da Justiça com o governador do Rio em menos de uma semana. Na última sexta-feira, o secretário-executivo da pasta, Ricardo Cappelli, esteve com Castro no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense. À mesa, além deles, estiveram presentes os seus secretários de Polícia Militar (Luiz Henrique Marinho Pires) e Polícia Civil (José Renato Torres), o diretor-geral da PRF, Antônio Oliveira, assim como o superintendente no Rio, Vitor Almada da Costa.
Na ocasião, Cappelli explicou que a atuação da Força Nacional se daria na retaguarda, com incursões dentro de comunidades a cargo das forças estaduais. Já a PRF explicou, nesta segunda-feira, que suas ações serão “específicas e pontuais, em conjunto com as forças estaduais” — sem que a corporação assuma o policiamento da Avenida Brasil.
A ofensiva tem como pano de fundo a divulgação de uma investigação da Polícia Civil do Rio com gravações de drones que flagraram um treinamento oferecido a traficantes no Complexo da Maré: em uma quadra de futebol, com uma piscina ao lado, um grupo de 15 homens armados com fuzis recebiam orientações sobre como atacar e defender com o armamento pesado em mãos.
O conjunto de favelas fica às margens da Avenida Brasil, assim como outras vias importantes: a Linha Amarela e a Linha Vermelha. A Maré também tem um batalhão da PM instalado.
Na mesma semana, um ônibus foi atacado com uma bomba caseira na Avenida Brasil, só que na altura de Costa Barros. Criminosos pararam o coletivo, da linha 771 (Campo Grande—Coelho Neto), depois das 21h e assaltaram os passageiros. Ao final da ação, que contou com cerca de 10 homens, que também apedrejaram o veículo, um explosivo foi arremessado, ferindo três passageiros. Dois seguem internados; um deles com fratura em costela e pulmão.
Com informações de O Globo.





