Castro é alvo de críticas na Alerj por prótese prometida a delegado amputado

Martha Rocha afirma que policiais fizeram vaquinha para ajudar Bernardo Leal após promessa atribuída ao ex-governador não ser cumprida

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Mesmo longe dos holofotes e já fora do comando do Palácio Guanabara, o ex-governador Cláudio Castro voltou a ser alvo de críticas durante a sessão plenária da Assembleia Legislativa (Alerj) nesta terça-feira (25). O motivo foi a situação do delegado Bernardo Leal, da Polícia Civil do Estado do Rio, que teve a perna direita amputada após ser baleado durante a Operação Contenção, nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro do ano passado.

A cobrança partiu da deputada Martha Rocha (PDT), ex-chefe da corporação. Segundo a parlamentar, Castro teria se comprometido a providenciar uma prótese específica para Bernardo após o agente ficar gravemente ferido. De acordo com ela, porém, o compromisso não foi concretizado antes da saída do então governador.

Vaquinha entre policiais

Martha afirmou que procurou informações sobre a situação do delegado ainda no ano passado e recebeu de um familiar a informação de que Castro providenciaria o equipamento. Segundo a deputada, diante da falta de solução, policiais civis fizeram uma arrecadação para comprar uma prótese, que não seria a mais adequada às necessidades de Bernardo.

“O fato é que o governador Cláudio Castro deixou o cargo, houve a substituição do secretário da Polícia Civil e o resultado disso foi uma vaquinha feita pelos policiais civis para adquirir uma prótese que não é a que ele necessariamente precisa”, declarou.

Para Martha, o episódio ultrapassa a situação individual do delegado e exige uma resposta institucional. “Não é apenas pelo delegado Bernardo Leal. Mas é um desrespeito com a Polícia Civil uma vez que a mais alta autoridade do estado se compromete a tomar uma atitude importante assim e não o faz”, afirmou.

Ruas promete buscar solução

Presidente da Alerj e policial civil, Douglas Ruas (PL) disse que não acompanhou o caso, mas assumiu o compromisso de procurar Bernardo Leal e buscar informações sobre a promessa feita anteriormente.

“Me comprometo aqui pessoalmente a falar, a buscar o contato com o delegado Bernardo para que a gente possa fazer todos os esforços necessários para que seja respeitado aquele compromisso que já foi assumido, que não deve ser de uma única pessoa, mas deve ser do estado como um todo”, afirmou Ruas.

Martha também defendeu que o atual governo seja questionado sobre o assunto e sobre eventual interlocução realizada desde a saída de Castro. “Essas pessoas precisam ser valorizadas e reverenciadas”, disse a deputada ao mencionar os policiais atingidos durante operações.

Tiro de fuzil e pouca chance de sobreviver

Bernardo Leal foi atingido por um tiro de fuzil durante a Operação Contenção, megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão e que terminou com 122 mortos, entre eles cinco policiais. Em junho, o delegado relatou detalhes do episódio em entrevista ao programa Jogo do Poder, apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno.

Bernardo retomou as atividades profissionais em janeiro, meses depois de sobreviver ao grave ferimento. Os médicos estimavam em apenas 3% suas chances de sobrevivência. O tiro fraturou o fêmur e rompeu a artéria e a veia femoral, provocando uma intensa hemorragia. Inicialmente prevista para ocorrer abaixo do joelho, a amputação precisou ser estendida até a parte superior da coxa devido à falta de vascularização.

Projeto prevê assistência a agentes feridos

O debate levou o deputado Delegado Carlos Augusto (PL), que participou da sessão remotamente, a pedir que uma proposta de sua autoria sobre assistência aos profissionais de segurança seja colocada em votação.

O parlamentar afirmou que a medida altera a Lei Estadual 10.845/2025 e trata da assistência médica e do fornecimento de medicamentos, próteses e órteses a policiais militares, civis e penais, bombeiros militares e agentes do Degase.

“Eu acho que é uma boa ocasião para a gente colocar essa lei em votação”, disse Carlos Augusto. Segundo ele, a intenção é garantir amparo ao profissional “que é ferido em combate e precisa de medicamentos, próteses, órteses, quaisquer outras coisas”. Douglas Ruas pediu ao parlamentar que encaminhasse o número da matéria para que a proposta pudesse ser avaliada.

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