O governador do Rio, Cláudio Castro, criticou nesta segunda-feira (11) os órgãos de controle por retardarem o reinício das obras na estação do metrô da Gávea, paradas desde 2015. Ele disse que, apesar de estudos técnicos garantirem a segurança do local, ele se preocupa com a água que se acumula embaixo da Pontifícia Universidade Católica (PUC).
— Meu pavor aquela água embaixo da PUC. Se cair, a culpa é de vocês, Tribunal de Justiça, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado. O Estado já tentou licitar duas vezes. E estou tentando fazer acordo. Porque se aquele troço cai, vai matar gente ali e estou muito preocupado. Para o processo jurídico aqui, joga a briga para lá. Mas não indexa isso à vida de milhares de pessoas. O processo judicial não é mais importante do que a vida das pessoas. Se tiver que perder dinheiro, perde, cobra depois. Já tem exemplos graves. Promotor é apegado em seu processo jurídico e não deixa a obra andar — criticou Castro.
Castro fez a declaração durante um almoço com jornalistas. Ele lembrou o caso do metrô de São Paulo, em 2022, quando uma cratera se abriu na Marginal Tietê durante as obras da Linha 4-Amarela.
O governador disse que já tentou licitar as obras por duas vezes, mas enfrentou entraves jurídicos.
Segundo ele, o governo do estado e a concessionária MetrôRio firmaram um acordo para viabilizar o projeto, que prevê um investimento de até R$ 600 milhões. Em troca, o tempo de concessão seria ampliado em dez anos (até 2048) e a empresa passaria a administrar a Linha 4 (Ipanema-Barra), além das linhas 1 (Tijuca-Ipanema) e 2 (Pavuna-Estácio).
Um documento de janeiro deste ano ao qual O Globo teve acesso mostra que equipamentos comprados para a nova estação correm o risco de serem aproveitados apenas como peças de reposição. Alguns foram comprados quando a obra estava prevista para ficar pronta até a Olimpíada de 2016. Em 2019, durante um forte temporal, os almoxarifados foram alagados. Depois disso, houve um inventário sobre a situação do material atingido.
Entre os materiais que não podem ser aproveitados estão mais de 200 extintores de incêndio, painéis de distribuição de energia, sistemas de nobreak (para manter a energia em caso de apagão) e pelo menos 180 baterias. Outros itens, incluindo três painéis comprados para energizar a estação, vão ter que ser recuperados. Os técnicos não estimaram qual o valor das perdas.
Serão avaliadas ainda as aduelas que vão revestir cerca de 1,2 quilômetro de túnel que falta ser escavado. Elas estão armazenadas em um terreno do estado na região da Leopoldina.
A assinatura do documento não coloca o projeto nos trilhos imediatamente. Isso porque as bases dessa negociação terão que ser aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e homologado pela Justiça, com a intermediação do Ministério Público (MP) do estado.
A intervenção do MP será necessária porque há ações na Justiça que apuram um suposto superfaturamento na implantação da Linha 4, que custou R$ 9 bilhões. O TCE estimou que houve um sobrepreço de R$ 3,7 bilhões e exige que o estado seja ressarcido pelo consórcio responsável pela construção. A partir do momento em que um acordo for fechado de fato, serão necessários três anos de obra até a estação ser aberta ao público.
— É um avanço concreto e significativo para um dos maiores desafios da mobilidade urbana da cidade. A retomada das obras da estação da Gávea, paralisada há oito anos, vai destravar o desenvolvimento do sistema metroviário do estado — disse Castro.
O estado divulgou apenas pontos genéricos do acordo firmado ontem. No entanto, no fim de outubro, uma resposta da Secretaria estadual de Transportes e Mobilidade Urbana (Setrans) ao TCE revelou alguns detalhes da negociação. Um dos pontos prevê que, caso sejam gastos mais de R$ 600 milhões — custo para terminar apenas as obras físicas, o estado arcará com a diferença.
O primeiro passo da obra será esvaziar o esqueleto da futura estação. A estrutura está inundada desde 2017, uma estratégia adotada para tentar evitar o desmoronamento das paredes. Isso deve demorar de três a quatro meses.
Com informações de O Globo





