A Polícia Federal pediu intervenção do Ministério da Justiça na busca de uma cooperação jurídica internacional com a empresa alemã fabricante da arma usada no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O órgão chegou a solicitar diretamente à Heckler & Koch que um de seus especialistas viesse ao Brasil, mas não foi atendido. As negociações, então, continuaram com o governo alemão. O objetivo era a confirmação técnica da fabricante de que projéteis extraídos dos corpos da parlamentar e de seu motorista são da submetralhadora HK MP5. Quatro projéteis foram removidos do corpo de Marielle e um, do de Anderson.
A submetralhadora foi apontada como a arma usada nos homicídios, de acordo com o relatório final do inquérito da Polícia Civil, de março de 2019. O documento focou na primeira parte da investigação do crime, que resultou nas prisões dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. O então titular da Delegacia de Homicídios da Capital, Giniton Lages, e as promotoras do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na época, Simone Sibílio e Letícia Emile, chegaram ao modelo a partir de análises de reprodução simulada e quebras de sigilo telemático dos acusados.
Ao requisitar a presença do profissional alemão, a PF pretendia ainda apresentar um laudo ou um depoimento dele no júri de Lessa e Queiroz, para afastar dúvidas sobre a arma usada no crime. Isso porque a defesa costuma pedir uma avaliação de um perito durante o julgamento. A palavra do fabricante seria convincente para os jurados.
A Heckler & Koch, por sua vez, parou de exportar armas ao Brasil sob a alegação de não se tratar de um país empenhado em reduzir as violações aos direitos humanos. Num dos e-mails trocados com a Polícia Federal, um dos representantes da empresa europeia fala da importância da vereadora, ressaltando a repercussão internacional do caso. Em 2020, conforme os documentos anexados ao processo do homicídio, a HK informa preferir cessar “um acordo do que as armas caírem em mãos erradas”. Já quanto ao pedido da PF brasileira, a empresa afirmou que as tratativas deviam acontecer por via governamental.
Os contatos, então, ocorreram por meio da embaixada alemã e de um governo local do país, que respondeu à solicitação pedindo mais detalhes. Os documentos revelam que alguns questionamentos foram recebidos com “surpresa” pela PF. “Diante da latente ausência de interesse ativo em auxiliar as diligências necessárias à investigação, mediante a imposição de empecilhos criados pelas próprias autoridades alemãs, se mostrou despicienda a presente cooperação, de modo que não subsiste interesse desta autoridade policial na sua continuidade”, chegou a escrever um representante da PF. As tratativas continuam.
Com informações do Extra online.





