Caso Henry Borel: defesa de Jairinho faz ataque às provas e aponta perseguição no julgamento

Enquanto acusação sustenta responsabilidade dos réus, defesa de Jairinho afirma que ex-vereador foi alvo de perseguição

O décimo e último dia do julgamento pela morte de Henry Borel foi marcado nesta quarta-feira (03) por uma ofensiva da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Em uma longa sustentação diante dos jurados, os advogados buscaram enfraquecer as provas reunidas pela acusação, questionaram a imparcialidade de peritos e testemunhas e sustentaram a tese de que o réu teria sido alvo de uma perseguição construída ao longo da investigação.

A estratégia adotada pela defesa concentrou-se em levantar dúvidas sobre os elementos que embasam a acusação. Os advogados Fabiano Lopes e Zanone Junior afirmaram que depoimentos, laudos periciais e até mesmo a atuação de pessoas ligadas ao caso teriam contribuído para a formação de uma narrativa desfavorável ao ex-vereador.

Questionamentos aos laudos

Um dos principais pontos explorados pela defesa foi a produção dos laudos periciais. Os advogados voltaram a questionar documentos elaborados pelo Instituto Médico Legal (IML) e destacaram mensagens trocadas entre a perita Gabriela Graça, Leniel Borel e integrantes da assistência de acusação. Segundo a defesa, esse contato levantaria dúvidas sobre a imparcialidade dos pareceres apresentados no processo.

Também foram mencionadas alterações realizadas em exames periciais produzidos após a morte de Henry. Para os advogados, as modificações feitas ao longo das semanas seguintes ao caso colocariam em discussão a consistência das conclusões levadas à Justiça.

Críticas à investigação

Durante a sustentação, a defesa também voltou a direcionar críticas a Leniel Borel, pai da criança. Os advogados alegaram que informações relevantes teriam sido omitidas durante as investigações e apresentaram mensagens e circunstâncias que, segundo eles, deveriam ser consideradas pelos jurados.

Outro ponto abordado foi a atuação de testemunhas. A defesa sustentou que alguns relatos teriam sido influenciados ao longo da apuração e argumentou que determinados depoimentos não poderiam ser considerados totalmente confiáveis. Os advogados também afirmaram que houve direcionamento de testemunhos durante o trabalho policial.

Defesa tenta relativizar episódios

Os defensores de Jairinho procuraram ainda minimizar episódios apontados por testemunhas como possíveis agressões. Segundo a argumentação apresentada em plenário, algumas situações descritas ao longo do processo não configurariam violência grave e teriam sido interpretadas de forma equivocada pela acusação.

A defesa também contestou um laudo psicológico incluído no processo, alegando que o profissional responsável pela análise não ouviu diretamente os réus antes de formular suas conclusões.

Defesa de Monique também se manifestou

Horas antes, os advogados de Monique Medeiros apresentaram seus argumentos ao Tribunal do Júri. A defesa sustentou que a ex-professora estaria sendo responsabilizada por ser mãe da vítima e não por provas concretas de participação ou omissão dolosa na morte de Henry. Os advogados afirmaram que ela não tinha condições de prever o desfecho fatal nem conhecimento da gravidade das agressões atribuídas a Jairinho.

A acusação, por sua vez, mantém a tese de que Monique ignorou sinais de violência sofridos pelo filho e deixou de agir para protegê-lo.

Fase decisiva do júri

Henry Borel Medeiros morreu em março de 2021, aos 4 anos. De acordo com laudos periciais, a criança apresentava múltiplas lesões e morreu em decorrência de uma hemorragia interna provocada por laceração hepática. O Ministério Público acusa Jairinho de homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunhas e fraude processual. Monique responde por homicídio por omissão imprópria.

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