Casa da Urca que foi cenário de ‘Ainda estou aqui’ volta ao mercado por R$ 18 milhões

Imóvel usado em longa vencedor do Oscar seria transformado em centro cultural da prefeitura, mas projeto não avançou

A mansão localizada na Rua Roquete Pinto, na Urca, que serviu de cenário principal para o filme Ainda estou aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, voltou a ser colocada à venda no mercado imobiliário. O imóvel, que havia sido alvo de um decreto de desapropriação da prefeitura do Rio para abrigar a chamada Casa do Cinema Brasileiro, está agora anunciado por R$ 18 milhões, informa O Globo.

Em março deste ano, o prefeito Eduardo Paes havia oficializado a intenção de transformar a casa em sede da RioFilme e em espaço de memória do cinema nacional, mas a negociação não avançou. De acordo com o corretor responsável, Marcelo Dias, a desistência da desapropriação ocorreu porque não houve acordo entre os proprietários e a administração municipal.

Reforma e valorização após o Oscar

Segundo Dias, o valor atual do imóvel reflete custos de reforma e impostos, o que também explica a diferença em relação ao preço anterior. “A prefeitura e os donos não entraram em acordo sobre o valor. Os proprietários praticamente não estão tendo lucro em relação ao valor inicial, que era de R$ 14 milhões. Houve uma reforma grande e só de impostos vão pagar R$ 1,5 milhão”, afirmou o corretor.

O imóvel, com cerca de 450 metros quadrados, foi construído em 1938 e se tornou ponto de visitação informal na Urca após o sucesso do longa dirigido por Walter Salles. Guias turísticos e até plataformas digitais de mapas passaram a indicar a casa como atração cultural.

Projeto cultural engavetado

À época do anúncio da desapropriação, Paes chegou a divulgar em redes sociais que a residência se tornaria “um lugar de memória permanente da história de Eunice Paiva e sua família, da democracia e também uma homenagem às atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro”. O decreto previa reforma do espaço, abertura do térreo para visitação pública, exposições interativas sobre a trajetória do filme no Oscar e a instalação da sede da Rio Film Commission.

O vice-prefeito, Eduardo Cavaliere, também havia reforçado em nota oficial que o espaço seria uma referência nacional para preservação do cinema brasileiro. No entanto, com a falta de acordo financeiro, a proposta não seguiu adiante.

Futuro incerto

Questionada pelo O Globo, a Secretaria Municipal de Cultura informou que não iria comentar a situação atual do imóvel. Assim, não há definição sobre se a prefeitura pretende retomar, em outro momento, o projeto cultural anunciado no início do ano.

Enquanto isso, a mansão histórica da Urca segue disponível para compra, agora valorizada pela notoriedade que ganhou no circuito internacional de cinema.

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