Caravana ‘Agosto Lilás’ leva conscientização sobre violência contra a mulher ao centro do rio

Ação da Procuradoria da Mulher da Alerj distribuiu material informativo e reforçou canais de denúncia; dados do ISP revelam que a maioria dos casos ocorre dentro de casa.

A cor lilás tomou conta do Largo da Carioca, no Centro do Rio, na quinta-feira (14), em uma ação voltada para informar, orientar e estimular o combate à violência contra a mulher.

A “Caravana Agosto Lilás”, promovida pela Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), distribuiu panfletos com informações sobre canais de denúncia e serviços de acolhimento.

A iniciativa faz parte de uma programação que, até o fim de agosto, levará tendas de atendimento a diferentes pontos estratégicos da cidade.

Foco na prevenção e no acolhimento

À frente da Procuradoria, a deputada Tia Ju (REP) destacou a necessidade de ampliar o alcance das ações de conscientização, especialmente em espaços públicos.

Ela lembrou que os canais de denúncia, como o Disque 180, funcionam de forma anônima e que a Procuradoria, instalada no Palácio Tiradentes, oferece acolhimento e suporte jurídico.

Segundo a deputada, a equipe multidisciplinar é composta por delegada, psicólogos, assistentes sociais e servidoras capacitadas para receber e encaminhar casos de violência, além de oferecer apoio emocional às vítimas.

A ação também mobilizou cidadãos. A professora Eliana Alves ressaltou que muitas mulheres ainda têm medo de denunciar por não se sentirem protegidas. Já o aposentado Sérgio Vasconcellos, que testemunhou violência doméstica na infância, enfatizou a importância da divulgação dos serviços de apoio.

A servidora da saúde Simone da Silva, vítima de violência psicológica, lembrou que o abuso não se limita à agressão física, podendo estar presente em palavras e atitudes de cunho machista.

Números revelam cenário preocupante

O Dossiê Mulher, produzido pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), aponta que, em 2018, foram registrados 41.344 casos de lesão corporal dolosa, 71 feminicídios e 288 tentativas de feminicídio no estado.

A violência física foi a mais recorrente, com 42.423 vítimas, e a residência apareceu como principal cenário das agressões: 62% dos feminicídios e 34,3% dos homicídios dolosos ocorreram dentro de casa. No caso dos estupros, 71,9% também tiveram a residência como local da ocorrência.

Os dados mostram ainda que a violência contra a mulher apresenta padrões persistentes, com forte presença de agressores no núcleo familiar ou entre companheiros, alta subnotificação e recorrência de casos em ambientes domésticos.

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