Calor intenso no Rio: como atravessar dias quentes sem prejudicar a saúde

Com temperaturas próximas dos 40 °C e ar mais seco, especialistas alertam para o agravamento de doenças respiratórias

O Rio de Janeiro entrou em Calor 3 às vésperas do Natal, com temperaturas próximas dos 40 °C, ar mais seco e aumento da poluição, uma combinação perigosa que pode impactar diretamente o sistema respiratório. Para atravessar os dias de calor intenso, a Agenda do Poder reuniu cuidados necessários para reduzir riscos à saúde.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro emitiu um alerta para os 92 municípios fluminenses sobre a chegada de um período de calor excessivo a partir desta quinta-feira (25), feriado de Natal.

Na quarta-feira (24), o município do Rio entrou em Calor 3. Segundo o Sistema Alerta Rio, o alerta indica a manutenção das temperaturas elevadas por, ao menos, três dias consecutivos.

É nesse cenário que o professor de Pneumologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rogério Rufino, chama atenção para os efeitos do calor intenso sobre a respiração. Segundo o especialista, as altas temperaturas alteram a qualidade do ar e interferem diretamente no funcionamento do sistema respiratório.

Os sintomas mais comuns em períodos muito quentes incluem falta de ar, chiado no peito, tosse seca ou agravada, irritação na garganta, sensação de ressecamento nas vias aéreas e secreção mais espessa

Rogerio Rufino, pneumologista

De acordo com Rufino, o calor favorece o ressecamento das mucosas do nariz, da garganta e dos pulmões. Além disso, a elevação da temperatura costuma vir acompanhada do aumento da concentração de poluentes e de ozônio na atmosfera, substâncias que irritam as vias aéreas e podem intensificar processos inflamatórios.

O corpo passa a respirar mais rápido para tentar dissipar calor, o que pode aumentar a sensação de falta de ar, principalmente em pessoas mais sensíveis”, afirma.

Doenças respiratórias preexistentes tendem a sofrer agravamento durante períodos de calor extremo. Segundo o especialista, quadros de asma estão entre os mais impactados, já que o ar quente, seco e poluído facilita crises.

“Pessoas com enfisema e bronquite crônica também sofrem mais, já que o calor pode dificultar a troca de gases e aumentar a sensação de cansaço. Rinites e sinusites alérgicas tendem a piorar com o ressecamento das mucosas”, detalha o especialista.

Crianças e idosos são os mais vulneráveis 

Neste período, crianças e idosos formam os grupos mais vulneráveis. As crianças possuem vias aéreas menores, que se irritam com mais facilidade, além de maior risco de desidratação. Já os idosos apresentam menor capacidade de adaptação ao calor e, muitas vezes, convivem com doenças respiratórias e cardiovasculares associadas.

Cuidados em dias de calor

Para reduzir os impactos, aqui vão alguns cuidados: 

– Aumente a ingestão de água ou de sucos de frutas naturais, sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede;

– Consuma alimentos leves como frutas e saladas;

– Utilize roupas leves e frescas;

– Evite bebidas alcoólicas e com elevado teor de açúcar;

– Evite a exposição direta ao sol, em especial, de 10h às 16h;

– A exposição ao sol sem a proteção adequada contra os raios ultravioleta deixa a pele vermelha, sensível e com bolhas. Use protetor solar;

– Proteja as crianças com chapéu de abas;

– Em caso de mal-estar, tontura ou demais sintomas provocados em decorrência do estresse térmico, procure uma unidade municipal de saúde.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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