Caio Bonfim faz história em Tóquio ao ganhar ouro no Mundial de Atletismo

Após a vitória na marcha atlética de 20 km, ele pede desculpas à esposa por ter perdido aliança durante a prova

O brasileiro Caio Bonfim, de 34 anos, viveu uma manhã inesquecível no Mundial de Atletismo em Tóquio. O atleta não apenas conquistou o inédito ouro nos 20 km da marcha atlética, como também protagonizou uma cena curiosa: durante a prova, perdeu a aliança de casamento e usou a conquista como justificativa para pedir o perdão da esposa, Juliana.

“Tenho que contar uma história antes”, disse ao SporTV, ainda emocionado após cruzar a linha de chegada. “A minha aliança caiu no terceiro quilômetro. Pensei: ‘Minha esposa só vai me perdoar se eu conseguir o ouro’.”

Uma vitória de superação

A corrida foi marcada por drama e estratégia. Bonfim manteve-se no segundo pelotão durante boa parte da disputa, poupando energia nos quilômetros iniciais. Aos poucos, ganhou ritmo e ultrapassou adversários de peso, incluindo o espanhol Paul McGrath e o chinês Wang Zhaozhao.

A surpresa maior ocorreu quando o japonês Toshikazu Yamanishi, ídolo local e favorito ao título, recebeu punição de dois minutos por irregularidades técnicas. A infração abriu caminho para que o brasileiro assumisse a liderança já dentro do Estádio Nacional do Japão, onde foi ovacionado pelo público.

Recordes e legado brasileiro

Com a conquista, Caio Bonfim se tornou o terceiro atleta do Brasil a alcançar um ouro em Mundiais de atletismo, juntando-se a Fabiana Murer (salto com vara, em 2011) e Alison dos Santos, o Piu (400 m com barreiras, em 2022). Além disso, Bonfim agora é o brasileiro com mais medalhas na história da competição, ultrapassando o velocista Claudinei Quirino.

O marchador soma quatro pódios em Mundiais: bronze em 2017 (Londres) e 2023 (Budapeste), prata nos 35 km na mesma edição de Tóquio e agora o ouro nos 20 km. Também foi prata nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.

“Passa um filme na cabeça. Hoje tenho quatro medalhas de Mundial, e a gente pode relembrar Claudinei Quirino. Agora faço parte dessa geração, e isso é muito especial”, afirmou.

Emoção e família como combustível

O atleta revelou que, durante a competição, recebeu diariamente mensagens motivacionais da esposa, sempre acompanhadas do emoji de medalha de ouro. Também destacou a presença da mãe, Gianetti, sua treinadora, que o orientava a cada volta.

Mas foram os filhos que deram o impulso final. Emocionado, contou que o mais velho, Miguel, chorou de saudade durante sua ausência. “Nas últimas duas voltas, pensei: ‘Os moleques estão lá sofrendo, mas vão sentir orgulho’. Dizia a mim mesmo: ‘Não se entrega, mais uma volta’.”

Entre lágrimas, Caio resumiu sua motivação: “Era por eles, pela minha família e, claro, pelo medo de ter perdido a aliança.”

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