Bud Cort, ator do clássico ‘Ensina-me a viver’, morre aos 77 anos

Ator marcou o cinema dos anos 1970, recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao Bafta e teve carreira atravessada por grave acidente nos anos 1980

O ator estadunidense Bud Cort, conhecido mundialmente por interpretar o excêntrico Harold no clássico “Harold e Maude”, lançado no Brasil como “Ensina-me a viver”, morreu nesta quarta-feira (11), aos 77 anos, em Connecticut, nos Estados Unidos. A informação foi divulgada pela imprensa dos EUA.

Com uma trajetória marcada por papéis singulares e presença constante no cinema e na televisão, Cort também participou de produções como “M.A.S.H.”, “Coyote ugly” e da série “Arrested development”. Em 2015, emprestou sua voz ao personagem do rei na animação “O Pequeno príncipe”.

Início no teatro e ascensão no cinema

Nascido em 1948, em New Rochelle, no estado de Nova York, Bud Cort iniciou a carreira artística no teatro e em campanhas publicitárias. Seu talento nos palcos chamou a atenção do diretor Robert Altman, que o convidou para integrar o elenco de “M.A.S.H.”, em 1970. A partir desse trabalho, o ator passou a ganhar projeção no cinema.

O reconhecimento internacional veio no ano seguinte, com “Harold e Maude”. No papel do jovem obcecado pela morte que desenvolve uma improvável relação com uma mulher mais velha, Cort recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao Bafta, consolidando seu nome entre os talentos emergentes da década.

Em 1972, estreou na Broadway com a peça “Wise Child”. Também foi um dos fundadores da LA Classic Theatre Works, ao lado do ator Richard Dreyfuss, reforçando seu vínculo com o teatro ao longo da carreira.

Acidente e impacto na carreira

Segundo a revista People, um grave acidente de carro ocorrido em uma rodovia de Hollywood, na década de 1980, teve impacto significativo em sua trajetória profissional. Cort sofreu fraturas no braço, na perna e no crânio, além de cicatrizes permanentes no corpo. O episódio prejudicou o ritmo de trabalho do ator naquele período.

Apesar das dificuldades, ele manteve participações esporádicas em produções de cinema e televisão nas décadas seguintes, incluindo trabalhos de dublagem.

Homenagem de Jamie Lee Curtis

A atriz Jamie Lee Curtis relembrou nas redes sociais um encontro inusitado com Bud Cort. Segundo ela, os dois se conheceram em um avião, durante uma viagem à Europa para divulgar um filme, e acabaram desenvolvendo amizade.

Anos depois, Cort surpreendeu a atriz ao aparecer como stripper em seu chá de panela. “Ele simplesmente entrou, fez o número dele e foi embora. Minha mãe estava presente e adorou”, contou a filha da atriz Janet Leigh (1927-2004).

Jamie Lee Curtis também prestou homenagem pública ao amigo. “Era uma pessoa talentosa e interessante, e fico feliz que o universo tenha colocado nossas órbitas em contato, ainda que por um breve momento”, disse.

Bud Cort deixa quatro irmãos. Seu trabalho em “Harold e Maude” permanece como um dos retratos mais marcantes do cinema alternativo dos anos 1970, garantindo-lhe lugar na memória de diferentes gerações de espectadores.

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