Em resposta a procedimento investigatório da Corregedoria do Tribunal Regional da 2ª Região, o juiz Marcelo Bretas refutou as acusações que lhe foram imputadas pelo advogado Nythalmar Ferreira Dias, em delação junto à Procuradoria-Geral da República. Ao se pronunciar, fez valer a célebre tática de usar o ataque como arma de defesa, afirmando que as graves revelações do delator “são fruto de um trabalho criminoso para denegrir minha imagem e desacreditar meu trabalho”.
Bretas recorreu à revista Crusóe, porta-voz da operação Lava Jato, para assacar contra Nythalmar Ferreira.
“Cabe recordar que recentemente a imprensa noticiou que o próprio advogado Nythalmar Ferreira, ”relatou de viva voz a interlocutores que recebeu uma oferta de dinheiro para ajudar a destruir a reputação de procuradores da força-tarefa e o juiz Marcelo Bretas’, escreveu, anexando o link de reportagem da Crusoé.
Bretas refutou a acusação de que interferiu no processo eleitoral em favor de seu então amigo Wilson Witzel. Disse que ao chamar o ex-assessor de Eduardo Paes, Alexandre Pinto, para depor não sabia antecipadamente o conteúdo do que iria relatar.
“Na condição de magistrado condutor da referida audiência de interrogatório, não me foi informado sobre quais assuntos falaria o então interrogando Alexandre Pinto, e de qualquer forma não me caberia cercear o direito do acusado de exercer livremente sua defesa direta sobre as acusações imputadas”, declarou, acrescentando que ação tramitava de forma pública, não sigilosa, daí não fazer sentido o termo “vazamento”.
À acusação de que interferiu na negociação da delação do empresário Fernando Cavendish o magistrado respondeu afirmando se tratar de peça mentirosa e caluniosa. Segundo ele, os próprios advogados do empresário tentavam desde 2016 negociar com o Ministério Público um acordo.
“Obviamente, eu tinha conhecimento de que as partes (Fernando Cavendish e MPF) estavam negociando um acordo de colaboração premiada. Não acompanhei, contudo, o desenrolar de tais negociações, nem soube, antes do dia 07/08/2017, se a pretendida colaboração premiada foi descartada em algum momento ou se prosseguiram as negociações entre as partes”.
Sobre a declaração de que teria exigido carta do próprio punho de Sergio Cabral e de Adriana Ancelmo renunciando a seus patrimônios para livrar a então esposa de Sérgio Cabral da investigação, disse :
“Ainda que a mentira engendrada contra mim não tenha sentido, afirmo, de forma a demonstrar a falsidade das alegações veiculadas na presente reclamação, que nunca recebi em mãos “carta manuscrita” na qual os acusados Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo abriam mão de seus bens. Na verdade, a afirmação nesse sentido foi feita pelo próprio acusado Sérgio Cabral, ao ser interrogado na ação penal nº 0502041-15.2017.4.02.5101, na audiência de 08/06/2018”.
Após colher as razões de Marcelo Bretas, o corregedor do TRF-2, desembargado Theóphilo Antônio Miguel, decidiu indeferir o pedido da OAB-RJ de afastamento cautelar do magistrado da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, a exemplo do desfecho de solicitação semelhante da OAB nacional ao Conselho Nacional de Magistratura.
“Diante de sua clareza e sólidos fundamentos, impõe-se aplicar, neste procedimento disciplinar, a mesma linha do entendimento jurídico exposto na decisão proferida pela Corregedora Nacional de Justiça para negar a providência cautelar de afastamento. Realmente, a matéria jornalística que embasa a representação apenas relata parte da versão apresentada pelo advogado Nythalmar Dias Ferreira Filho, que, conforme alegado, teria firmado acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República, objetivando-se leniência quanto a delitos supostamente perpetrados no exercício da advocacia. Por isso, inexiste, in casu, justificativa mínima razoável a autorizar o afastamento do magistrado, principalmente quando se está diante de análise de caso em que sequer há processo administrativo disciplinar instaurado”, escreveu o corregedor.
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Bretas recorre à revista Crusoé, porta-voz da Lava Jato, para atacar delator que denunciou abusos na atuação do magistrado
Em resposta a procedimento investigatório da Corregedoria do Tribunal Regional da 2ª Região, o juiz Marcelo Bretas refutou as acusações que lhe foram imputadas pelo advogado Nythalmar Ferreira Dias, em delação junto à Procuradoria-Geral da República. Ao se pronunciar, fez valer a célebre tática de usar o ataque como arma de defesa, afirmando que as…






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