De ônibus, carro e avião, percorrendo mais de 1.660 quilômetros, uma paulista da zona rural, de 35 anos, viajou para a Argentina para pôr fim à gravidez indesejada. A saga da brasileira foi acompanhada por uma repórter autora da reportagem publicada no The Washington Post.
Grávida de 11 semanas, Cristina (seu nome do meio) engrossou a fileira de mulheres que, nos últimos cinco anos, procuram países na América Latina que descriminalizaram ou legalizaram o procedimento, reconfigurando a geografia do aborto na região.
O aborto foi legalizado na Argentina em 2021. Depois, a Colômbia descriminalizou o procedimento no ano seguinte, permitindo abortos até 24 semanas. Mas o Brasil, com metade da população e do território da América do Sul, não cedeu nesta questão.
Sabendo que abortos clandestinos eram as principais causas de mortalidade materna, Cristina procurou outras alternativas. Numa revista, encontrou reportagem sobre o assunto e conheceu o Projeto Vivas. A organização financiou toda a viagem.
Duas importantes organizações brasileiras de defesa dos direitos das mulheres afirmam ter enviado cumulativamente quase 800 mulheres ao exterior nos últimos anos. A Argentina tem sido o principal destino.





