O Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou a renovação, por mais dois anos, do mandato da missão de investigação sobre violações de direitos humanos na Venezuela. A resolução, que também mantém a atuação do Alto-Comissariado para os Direitos Humanos no país, foi aprovada com 23 votos a favor, 6 contra e 18 abstenções, incluindo o Brasil.
O governo brasileiro se absteve, justificando que o documento não abordava o impacto das sanções econômicas sobre a população venezuelana, o que, segundo o representante brasileiro, torna difícil discutir a situação dos direitos humanos, especialmente em relação ao acesso a alimentos e medicamentos.
A abstenção do Brasil está alinhada com a postura cautelosa do governo Lula em relação ao regime de Nicolás Maduro. Desde as eleições presidenciais de julho, o governo brasileiro tem evitado se posicionar claramente, enquanto a oposição venezuelana e diversas organizações internacionais questionam a legitimidade da reeleição de Maduro, que se recusou a divulgar os documentos comprovando a vitória.
Repressão aumenta na Venezuela
A renovação da missão ocorre em um contexto de intensificação da repressão estatal na Venezuela, com aumento da perseguição política, restrições à liberdade de imprensa e uma crescente crise humanitária. Segundo a ONG Foro Penal, 1.916 pessoas foram presas por motivos políticos desde o último pleito. A crise também tem agravado o êxodo venezuelano, especialmente na América Latina e Caribe, onde 6,5 milhões de venezuelanos já buscaram refúgio.
Com informações da Folha de S.Paulo





