Em meio à ofensiva do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump para ditar regras aos países da América Latina e do Norte, o Brasil tem se destacado por não ceder à pressão, afirma o “The New York Times”, um dos jornais mais influentes dos EUA. Ao contrário de nações como México, Canadá, Colômbia e Panamá, que fizeram concessões para evitar sanções ou garantir relações mais amenas com Washington, o governo brasileiro tem reafirmado de forma veemente sua soberania, diz o artigo.
De acordo com reportagem, Trump tem adotado uma abordagem de confronto em seu segundo mandato, tentando impor a sua vontade sobre aliados do continente americano por meio de tarifas, ameaças e exigências políticas. O objetivo: controlar com quem esses países negociam, quem podem investigar e como devem agir em suas fronteiras.
No caso do Brasil, o estopim da crise foi a tentativa de Trump de barrar o processo judicial contra Jair Bolsonaro, aliado próximo e ex-presidente brasileiro, acusado de tentativa de golpe após a derrota nas eleições de 2022. Para isso, Trump ameaçou impor tarifas de 50% sobre importações brasileiras — um gesto que gerou resposta imediata e contundente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O jornal relembra uma declaração recente do presidente Lula: “Ele foi eleito para cuidar do povo americano. O povo brasileiro sabe cuidar de si mesmo”.. O presidente brasileiro tem reforçado o discurso de independência nacional, comparecido a eventos com o boné estampado “O Brasil pertence aos brasileiros” e acusado Washington de tentar interferir em questões internas, afirma o Times.
Apesar das pressões, Bolsonaro precisa usar tornozeleira eletrônica
Enquanto países como México e Canadá se comprometeram a reprimir a imigração e reduzir relações comerciais com a China para atender aos pedidos de Trump — e o Panamá permitiu maior presença militar americana no canal interoceânico — o Brasil seguiu em sentido oposto.
Em resposta às pressões, diz o jornal, “O Supremo Tribunal Federal não apenas manteve a investigação contra Bolsonaro como determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente. Além disso, o Planalto já sinalizou a possibilidade de retaliar com tarifas próprias caso os EUA levem a ameaça adiante”, diz o Times.
O jornal americano ressalta que o Brasil pode se tornar um teste crucial para medir até onde Trump está disposto a ir — e o que acontece quando um país soberano simplesmente se recusa a obedecer.
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